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Prefeitura contra as bancas de sebos e de revistas usadas
São Paulo, 29 de outubro de 2011, sábado
Revisado em 19 de março de 2014, quarta-feira.

O Sr. Hugo sobrevive sem a sua banca. Passa bem, obrigado

Geralmente vejo o Sr. Hugo vendendo o que sobrou de seus livros usados e revistas, lá no começo da Rua Marquês de Itu. Ele tenta sobreviver, antes aonde estava a sua banca de sebos e de revistas. Muitas vezes o encontro lá, quando vou para a Casa do Artista ou outras lojas de materiais artísticos da região. As vezes aceno para ele, quando passo no local, e ele responde. Ultimamente esse senhor de idade conseguiu uma companhia: Uma senhora que vende seus doces na região.

O sr. Hugo é um entre vários sebeiros e livreiros que tiveram suas bancas arrancadas kassadas pela Prefeitura de São Paulo (veja mais adiante). Talvez sob o pretexto de uma reforma urbanística, ou parte do projeto Cidade Limpa, que a meu ver não deu em nada. Ainda vou expor várias fotos de sujeiras da cidade, frente a eliminação sistemática das placas e luminosos, além da extinção de vários empregos diretos e indiretos.

Conheci-o, como os demais sebeiros de banca da cidade, numa época em que eu estava catalogando os sebos, para publicá-los nos fanzines (publicações impressas), e depois, no site (este aqui e que você está lendo). Na ocasião, tinha pelo menos três bancas que vendiam livros usados, novos e revistas encalhadas, lá na Praça da República. O movimento era bom, porque somavam com as livrarias que existiam na Rua Barão de Itapetininga e na Rua 24 de Maio. Além disso, só na Praça Dom José Gaspar (onde fica a Biblioteca Municipal), tinha mais três bancas de sebos. Isso sem contar outros locais da cidade.

Então, era bastante proveitoso um roteiro que começasse na Rua Xavier de Toledo, e terminasse lá nas redondezas da Rua Aurora, onde fica o sebo Treze Listras. Isto é, se não for um pouco mais longe, passando pela Avenida São João (sebo Cruzeiro do Sul), chegando até as proximidades da estação de metrô Sta. Cecília. Era uma caminhada e tanto, mas bom para fazer uma “garimpada” nos sebos de São Paulo.

Tudo isso terminou, pelas ações dos burocratas governamentais, com os seus delírios visionários projetos urbanísticos (se é isso mesmo), e que em nada mudou na cidade. Elegemos os governantes não para prejudicar a vida dos cidadãos, e sim, para melhorá-la.



São Paulo, 26 de agosto de 2009, quarta-feira.

Mesmo sem a banca de sebos, o sr. José resiste...


Antes... A Banca do José, antes de ser seqüestrada.


...depois. O que sobrou da Banca do José.

O homem precisa trabalhar. Tem mais de 50 anos, e não teria como procurar emprego. Desde que o conheci - pelo menos em 1998 - ele sempre vendeu as revistas antigas e raras no local. Parece que perdeu a causa com a Prefeitura de São Paulo, e não vai poder reaver a sua banca; diferentemente do caso da dona Alcina, que sofreu um derrame em conseqüência da perda da banca.

Comentário sobre a extinta Banca do José:

29/08/2009 - 19:56 - Milédia Laube - Que absurdo. Uma pessoa só porque quer trabalhar, ganhar o dele sem tirar de ninguém perde uma causa. Enquanto muitos prisioneiros, que tirou o de alguém, fez famílias sofrerem ganha causas. Isso é um crime contra as pessoas honestas, que querem trabalhar dignamente. Mais não esquenta não, sei que é dificíl, mais o que eu vou dizer é verídico, o que se planta aqui se colhe, mais sedo ou mais tarde aqueles que prejudicou esse Senhor vão colher o que lhes espera....Deus é com os justus, muitas vezes passamos provas aqui para quando chegar lá na frente sermos aprovados.




Dona Alcina sofre de derrame, por causa da Prefeitura de S. Paulo

Quando a Prefeitura arrancou a banca dela, e que ficava na Praça Alfredo Issa, ela, desesperada, acabou sofrendo de derrame cerebral, e com as conseqüentes seqüelas. Felizmente os filhos dela lutaram e ganharam a causa. Poucas semanas atrás, através do sr. José, que teve a sua banca igualmente arrancada, fiquei sabendo que a banca da Dona Alcina está de volta no lugar. Mas o que aconteceu? Fui pessoalmente perguntar a um dos seus filhos, o sr. Alexandre. Cabe a você, internauta, concluir se a ação da Prefeitura foi ilegal ou não.


A banca da Dona Alcina, de volta ao lugar.

Desde 1973 a Banca da Dona Alcina existe na região. E, segundo o depoimento de Alexandre, ela sempre procurou manter-se em dia todos os documentos. Em todas as gestões que vieram antes do sr. Gilberto Kassab, ela sempre ouviu a resposta de que ninguém vai mexer na banca dela. Ela sempre pagou os impostos, como manda a lei. Até que um dia...

A banca foi arrancada na calada da noite, quando não havia ninguém para contestar, e todo o mundo estava dormindo. Como toda a estrutura estava chumbada no concreto, foi preciso aplicar um grande esforço, provocando um barulho infernal. E todos os vidros estilhaçaram. Pelo o que eu saiba, segundo a lei, a ação precisaria ser feita na presença do proprietário da banca, o que não ocorreu. Quando os seus filhos foram reclamar, as autoridades pediram toda a documentação. Isto é, depois de ter arrancado a banca. Acontece que essa documentação estava dentro da banca, e os funcionários, no ato de desapropriação, misturaram tudo, juntamente com os livros, revistas etc.

Quem me contou sobre o derrame da dona Alcina foi a sra. Helena, dona do Esconderijo dos Heróis, e que teve a sua banca igualmente tomada pela Prefeitura de São Paulo. Atualmente a dona Alcina está fazendo fisioterapia, para tentar recuperar os movimentos comprometidos devido às seqüelas do derrame cerebral. Seus filhos vão mover uma ação contra a Prefeitura de São Paulo, pelo dano moral e de saúde com risco de vida.


Perigosas rebarbas e que provocaram acidentes

Eu já sabia que geralmente as bancas são arrancadas à noite, quando seus proprietários não poderiam reagir. Um dia, quando passei na esquina da Rua Dona Antônia de Queirós com a Rua Itambé, deparei-me com a fundação de uma banca que havia no local. De imediato me chamou a atenção as rebarbas expostas, e que estavam enferrujadas, indicando que ficaram nesse estado faz um bom tempo. Segundo os lojistas que trabalham a poucos metros do local, já houve graves acidentes por causa dessas rebarbas. A prefeitura tinha arrancado a banca na calada da noite, perturbando o sossego dos moradores, uma vez que a área é residencial. E não tiveram o cuidado de eliminar as rebarbas. Isto é, um serviço de porco mal-feito.


Uma banca arrancada pela Prefeitura, lá em Higienópolis.


Perigosas rebargas deixadas, ao retirar a banca.


O caso da banca do José

Eu já tinha uma certa intuição de que ela iria ser retirada pela Prefeitura, quando decidi fazer as fotos. Porque o mesmo destino teve as bancas do sr. Emerson, seu Barba, do Eliseu etc. Com isso, a cidade perdeu as fontes valiosas de revistas esgotadas (mas novas), edições antigas, raros fascículos e até revistas técnicas e que deixaram de ser vendidas. Muitas dessas obras não se encontram sequer nos sebos tradicionais.


Prevendo o pior, fotografei a banca do José.

Enfim, quando vi que o inevitável aconteceu, perguntei ao pessoal do estacionamento, e que ficava na proximidade, sobre o paradeiro do sr. José, e ele mesmo estava justamente lá, sem poder fazer nada. Mas tinha a mão e o braço enfaixado, o que brinquei perguntando se tinha brigado com o pessoal da Prefeitura. Foi apenas uma cirurgia que teve de fazer. Com mais de 50 anos de idade, a banca é a sua única fonte de renda, pois, não teria como obter um emprego com essa idade. Igualmente disse que vai ganhar a causa, através de uma assessoria. Foi através dele que fiquei sabendo que a banca da dona Alcina tinha voltado.

Geralmente esse tipo de ação da Prefeitura traz prejuízo para vários tipos de pessoas, tirando-os do mercado de trabalho, se não desempregos em si. Na situação atual, em que a busca de trabalho rendoso é crítico, mesmo que essas bancas estivessem irregulares, não seria o caso de procurar uma solução criativa? Mas vejamos outros exemplos:


O sr. Cosmo com seus livros

Ele mantinha a sua banca próxima à esquina da Rua Augusta com a Rua Antônio Carlos. E a sua renda supria um pouco o que ele ganhava com a aposentadoria. Talvez tenha extrapolado nos seus limites da banca, porque ele expunha as obras, apoiando na vitrine de um bureau gráfico que tinha na época. Mas ninguém reclamava. Era, ao meu ver, uma convivência pacífica.


O sr. Cosmos, na outrora banca que tinha.

Quando a Prefeitura tomou a sua banca, esse senhor de idade ficou sem o que fazer. Então, decidiu vender as artes que ele fazia, mas na Av. Paulista, e durante os fins-de-semanas. Eu mesmo o vi lá, em uma das minhas incursões para aqueles lados. Até que um dia ele sumiu. Bem mais tarde o encontro na galeria do Center Três. Ele me disse que estava expondo os seus trabalhos na Praça Buenos Aires, no Higienópolis. Mas a Prefeitura um dia passou lá e simplesmente tomou todos os seus trabalhos e literalmente jogou em cima do caminhão. Agora nem sebeiro, nem artista plástico. Viver de quê?


O seu falecido Antonio Bonângelo...

Esse senhor tinha uma banca de sebos em frente à Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Quando ele faleceu, o seu filho, André, tomou o seu lugar. Talvez não tinha a mesma vocação do seu pai, mas era uma forma de sobrevivência. Pai de familia, o rapaz tocava a banca até que um dia a Prefeitura de São Paulo tomou-a. Nas últimas vezes que o vi, ele estava cuidando das carroças de papéis velhos, e que se encontravam perto da outrora banca. Juntamente com as carroças, ficavam os sem-tetos. E olha lá, esses permaneciam no local, por um bom tempo depois do sumiço da banca, degradando o lugar. Ao anoitecer, toda aquela região do Largo São Francisco é tomada por uma legião de sem-tetos, passando da casa dos 300 indivíduos. Ninguém mexe nos sem-tetos, mas a banca do sr. Bonângelo deixou de existir. E fiquei sabendo que o rapaz (André) foi visto puxando uma carroça...


O sr. Antonio Bonângelo (já falecido).

No caso da banca do sr. Bonângelo, tal como do sr. Walter, e que ficava ao lado da Faculdade de Direito, do sr. Carneiro e muitos outros que sumiram, ocorreram em outras gestões da Prefeitura. Diria desde o tempo do ex-prefeito Paulo Maluf ou até antes, passando por Pitta, Marta Suplicy, José Serra etc. Mas, somado ao procedimentos como é feita o rapa contra os camelôs de São Paulo, pode-se dizer que o modus operanti é o mesmo, o que supõe-se que essas ações provavelmente vêm de um mesmo grupo, dentro da Prefeitura, e que permanece lá, independentemente de quem seja o prefeito.



São Paulo, 1º de julho de 2009, Segunda.

Mais duas bancas abduzidas pela Prefeitura!

A Banca do Hugo e a Mil e Uma Leituras não existem mais. No lugar, um canteiro de flores. É como se de fato a cidade precisasse disso. Então, por que as praças, como a de Franklin Roosevelt, Júlio Mesquita e principalmente as do Vale do Anhangabaú ficaram totalmente abandonadas na mais completa imundície?



São Paulo, 23 de abril de 2008.

Banca da Cida fechou

Na verdade não existe mais. No local, um vazio, a poucos metros da Câmara Municipal de São Paulo. Suponha que seja mais um ato da Prefeitura de São Paulo. Segundo um sebeiro, já foram cerca de 70 bancas de sebos retirados da cidade de São Paulo, sob o argumento de situações irregulares. A Banca do Erikh ainda permanece no local. Mas seus donos temem que a qualquer momento vão perdê-la, apesar do mandato de segurança providenciado, e que impediu até o momento que a banca fosse arrebatada pela Prefeitura.



São Paulo, 5 de abril de 2008.

Mais uma banca de livros some da cidade

A Banca da Dona Alcina, que vende livros novos e usados, foi arrancada do lugar. Quando isso de fato aconteceu não sei. Perguntado sobre o destino da banca, um motorista ou fiscal, que estava em um ponto final de uma linha de ônibus, respondeu mais ou menos assim: E quem precisa de cultura?



São Paulo, 27 de janeiro de 2008.
Confirmado: A Banca Raridades não existe mais

A Prefeitura de São Paulo kassou de vez a banca. Antes, por um curto espaço de tempo, a banca mudou de dono e nome: Era a Banca Sampa, e que vendia livros novos e usados. Nos últimos meses, o sr. Saulo, dono da Banca Raridades, retomou o lugar, e tentou manter o ritmo de antes. A banca era especializada em revistas raras e antigas.

No calor do desemprego e de muita demanda pelo trabalho para pouca oferta, as autoridades tem o luxo de tirar o trabalho daqueles que tentam sobreviver ou melhorar as suas rendas, sejam de aposentadoria ou míseros salários.



São Paulo, 13 de janeiro de 2008.
Não existe mais a Banca do Israel

Faz mais de um mês que a Prefeitura de São Paulo recolheu a banca de livros, e que ficava no número 120 da Av. Ipiranga. Muitas bancas tradicionais, e que eram freqüentadas por assíduos leitores paulistanos já deixaram de existir. O próximo vai ser a Banca do Erikh, que vai ficar apenas até o final desse mês.



São Paulo, 23 de novembro de 2007.
A “abdução” continua: Mais uma banca de sebo some

A Banca Central, conhecida como a “Banca do Barba”, e que ficava na Av. São Luiz, em frente à Drogaria São Paulo (altura do nº 30), já não existe mais. Pois, a ameaça da Prefeitura cumpriu-se. Agora, você só vai encontrar o seu Barba no Ao Gaúcho, na região de Sta. Efigênia.



São Paulo, 11 de novembro de 2007.

Várias bancas de sebos estão sendo confiscadas pela Prefeitura de S. Paulo

A Banca do Elizeu, que ficava próximo ao Largo São Francisco, no Centro Velho, já não existe mais. Simplesmente a Prefeitura tomou a banca, juntamente com tudo o que tinha lá dentro. Da mesma forma, teve o mesmo destino a banca de revistas encalhadas, e que ficava no cruzamento da Av. Rio Branco com a Av. Ipiranga. O seu dono, o sr. Emerson, mantém uma outra banca, na praça Desembargador Mário Pires - a Banca do Erikh (nome do seu antigo dono) - e que está ameaçada de ser confiscada. A Banca Central está fechada, justamente porque está igualmente sujeita ao confisco. Nesse caso, segundo um funcionário da drogaria que fica em frente dela, a Prefeitura alega de que estava ocupando espaço na calçada (a banca é enorme). A Banca do Cilo (nome do antigo dono) também foi recolhida.

A excessão: O sr. Valter faleceu
Quando passei na Banca do Erikh, logo vi que não existia mais a do sr. Valter, e que era especializada em revistas. Na verdade a banca foi recolhida pela própria filha dele. Pois, ele não resistiu a uma cirurgia do coração, devido a um infarte.

A situação dessas bancas
Os próprios livreiros admitem que estavam irregulares, diante da Prefeitura. Porém, segundo o sr. Salim, dono da banca Pingo de Cristal, o argumento é de que eles precisavam pagar o IPTU, semelhantemente a das lojas. Mas, por algum motivo, não foi aprovado uma lei que regulamentasse essa situação, permitindo o pagamento desse imposto. Ou seja: Tudo leva a crer que a intenção era mesmo a de tirar essas bancas, sob qualquer pretexto. Talvez seja para fazer aquela reforma que a cidade tanto precisa, como a campanha de Cidade Limpa, e que obrigou muitos lojistas a retirarem suas placas e luminosos das lojas, para adequarem-se ao novo tamanho padrão de publicidade, criando assim, um prejuízo enorme para os próprios lojistas.



COMENTÁRIOS FEITOS:

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05/07/2009 - 03:51 - Rafa - Isso é uma injustiça, cara. Nós aqui querendo mais sebos na cidade e eles acabando com elas! E ainda por cima fazem um canteiro de flores no lugar, tenha a santa paciência!

29/08/2009 - 20:03 - (anônimo) - Sabe por que fazem isso, porque os administradores desse país não tem o bom senso de ajudar ninguém... Eles preferem deixar [o] lixo na rua, mendigos do que deixarem os sebos.... Como ter paciência com um povo desses? Temos que pedir é sabedoria a Deus para acharmos alguma solução para trazermos os sebos de volta.

30/08/2009 - 21:59 - Zadoque - Os sebos até que podem voltar um dia. O problema é mudar a mentalidade das autoridades... Rafa, uma pequena correção: Passei esses dias no local, e pude notar que na verdade é um canteiro de plantas, árvores etc. De uma certa forma, é uma alienação, pois, ninguém cobra das autoridades a qualidade dos serviços. Nem sequer as satisfações são dadas.


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