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Os TPNs de fins-de-anos 01
FIM-DE-ANO, E OS TRANSTORNOS PRÉ-NATALINOS COMEÇARAM

São Paulo, 8 de dezembro de 2009, terça.
Atualizada e revisada em 12 de dezembro de 2013. 

Todos os finais-de-anos são a mesma coisa: Lá por volta de outubro a novembro as lojas e estabelecimentos em geral se enfeitam para as festas. E pouco tempo depois, regiões como a 25 de Março ficam superlotadas por consumidores ávidos em cumprir as obrigações sociais, que é de dar os presentes entre si. E fica aquele desespero, empurra-empurra etc., o que chamo de transtornos pré-natalinos, e que parece não estar em nenhuma literatura médica, sociológica ou antropológica. Mas o fenômeno se repete.

Pouca gente sabe acerca desses rituais. Principalmente quando se montam os enfeites natalinos, mal sabem de onde vieram e o que significam. E mesmo que soubessem, pouca importância dariam. É como se as pessoas fossem robotizadas e condicionadas a seguir determinados rituais e sem pensar. Passam a comprar os enfeites natalinos, seguindo a determinadas estéticas e padrões semióticos, como se fossem ler um script inseridos nos seus subconscientes, mas que aparentemente não externam alterações visíveis nos seus comportamentos.

Faz muito tempo atrás, em 1986, escrevi um trabalho para o meio evangélico, sob a forma de apostila, e com o título: O Natal perante a Bíblia, mostrando a sua verdadeira origem e o significado dos símbolos e rituais. Provocou uma certa reação, e parece que muitos deixaram de comemorar essa festa (ou pelo menos temporariamente, uma vez que a pressão social é muito grande). Aqui resolvi expor uma leve referência sobre a pesquisa feita, e que acabou descobrindo a verdadeira origem da Igreja Católica, como uma mistura de crenças pagãs, e que tudo indica ser uma sociedade secreta.

Não. Não li o livro O Código da Vinci de... (não sei quem é o autor), e não vou lê-lo (não tenho tempo para isso). Mas fiquei sabendo que o seu conteúdo tratava-se mais ou menos do mesmo tema. Também vou antecipar que não pertenço àquela crença chamada de Testemunhas de Jeová (os TJs ou russelitas, expressão que eles detestam). Pois, sou mais da linha fundamentalista, como os batistas e presbiterianos. Mas não sou protestante, uma vez que a Reforma não significou a cisão da “Igreja”, mesmo sendo ela crucial. Isso porque antes dela, sempre houve as vozes que contestaram o “bispo de Roma”, mas que foram cruelmente abafadas (Vide: “Heresias medievais” de Nacliman Falbel... Editora Perspectiva, se não me falha a memória). As cisões portanto, sempre existiram. E para mim, a igreja católica, pela história e doutrina, nunca foi cristã, e sim pagã. A leitura desse artigo talvez ajude a exclarecer melhor a história.



A origem...

O Natal na verdade é uma festa esotérica (oculta), fruto de uma mistura de várias outras crenças, desde milhares de anos atrás até os primeiros séculos da era cristã, e cuja finalidade é a de transmitir suas mensagens para a posteridade através dos vetores: As pessoas que comemoram essa festa, e não conhecem seus verdadeiros significados e intenções. Razão porque muita gente não sabe o que significa a árvore de natal, os enfeites natalinos e as músicas. A influência da festa (o espírito de Natal) é tão grande que faz com que muitos participam dela, independentemente das crenças adotadas.

A festa de Natal nasceu da Saturnália dos romanos - um espécie de carnaval ritual. E também do Natalis Solis Invicti (o dia do nascimento do sol invencível), em que se comemorava vários deuses solares: Apolo, Baal, Surya e Mitra. Isso porque coincidia com o solstício de inverno lá no Hemisfério Norte, onde em certas regiões (acima do Círculo Polar Ártico) o sol se punha abaixo da linha do horizonte, e não aparecia por vários dias, trazendo assim, temores aos povos daquelas regiões. Por fim, entre o dia 24 e 25 de dezembro, é o nascimento do deus Mitra, de uma rocha, em uma gruta.

Quem comemora o Natal não precisa ser adepto de alguma ordem secreta ou iniciado em alguma sociedade. Nem tão pouco entender os significados da festa e seus símbolos. Basta seguir as cegas tradições cultuadas que estará fazendo o importante papel de transmitir as mensagens imbutidas no evento. Assim como os contos de fadas para as crianças, que não são nada inocentes. Nem tão pouco os games de guerras para os jovens, cuja finalidade é a de condicioná-los para a guerra (pois o mundo na verdade não busca a paz e sim, a guerra).

Antes do édito de tolerância no ano 313 d.C., a perseguição aos cristãos dentro do Império Romano fez com que eles se aumentassem. Introduziram, então, o culto ao deus Mitra, trazida da Ásia Menor, e que era de uma certa forma semelhante ao cristianismo. O mitraísmo, porém, era uma sociedade secreta, semelhante à maçonaria atual, e tinha os seus próprios graus de iniciação, sendo o máximo a do Pai (Papa). Em 313 d.C., Constantino Aurélio, então imperador de Roma, teve a brilhante idéia de anistiar os cristãos antes perseguidos com o Édito de Milão. E dá uma grande soma em dinheiro às igrejas, como também as mesmas insenções de impostos, e que eram dadas às outras crenças. Mas o preço a ser pago era alto: Ele une a nova “igreja” ao Estado (se é que pode chamar-se assim). E torna o seu líder.

O primeiro papa, na verdade, não foi Pedro. Pois, não há prova de que ele esteve em Roma. Senão, Paulo o apóstolo teria mencionado em uma de suas epístolas. O primeiro papa, tudo indica, foi o próprio imperador... Rituais pagãos foram adotados dentro da nova igreja. Pouquíssimos católicos sabem, mas muitos dos santos nos altares das igrejas são na verdade os antigos deuses pagãos.



Então, como fica o nascimento de Jesus?

Esta é a questão. Simplesmente não fica, porque na Bíblia não diz quando ele nasceu. Em nenhum dos Evangelhos faz referência à data do seu nascimento, porque é irrelevante. Porém, narram o dia em que Ele morreu (que foi na páscoa judaica). E em quase todos, a hora da sua morte (Mateus 27:45-50, Marcos 15:33-7, Lucas 23:44-6). Isso porque é de crucial importância, uma vez que Jesus é a nossa páscoa (e não essa que é comemorada no mundo todo e que não passa de mais uma festa pagã). Ou seja: O importante para nós, crentes, não é o nascimento de Jesus, e sim, a sua morte.

O que diferencia o verdadeiro cristianismo (e a outrora judaísmo bíblico) de outras crenças é essa: A maioria prega as virtudes para a salvação, o aperfeiçoamento espiritual ou a redenção. O cristianismo não: O crente, em primeiro lugar, faz uma declaração de incompetência espiritual. E admite que nós morremos por causa do pecado. Pois, o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23). Então, para que um culpado possa viver, é necessário que um inocente, que não tenha cometido nenhum pecado, morra no lugar dele. Mas se esse inocente for um ser humano comum, ele só poderá pagar para um outro. Teria então de ser mais do que um ser humano. O próprio filho de Deus, para poder pagar por muitos. Essa é a páscoa, e que já foi consumada. Tanto que no ano 70 da era cristã, Jerusalém é devastada pelos romanos, e o 2º Templo (de Salomão) é destruido. Justamente é nesse templo onde era comemorada a páscoa judaica. Foi uma providência divina, para que os judeus não pudessem comemorar a festa, uma vez que não valia mais.



Bibliografia selecionada

As obras indicadas abaixo são de fácil localização e aquisição. Todas elas encontram-se nas bibliotecas públicas de São Paulo (na época em que fiz essas pesquisas).

  1. ABRIL CULTURAL - As grandes religiões.
  2. BÍBLIA SAGRADA - Trad. de João Ferreira de Almeida.
  3. BOWLE, John et alii - Pequena enciclopédia da história do mundo.
  4. CIRLOT - Dicionário de símbolos.
  5. CULICAN - Medos e persas.
  6. DONATO - História do calendário.
  7. HADAS, Moses et alii - Roma imperial.
  8. NERY, Israel - O natal e seus símbolos.
  9. SCHESINGER & PORTO - Crenças, seitas e símbolos religiosos.
  10. TRÊS, Editora - “O Natal” in “Homem, mito e magia”, v.3, p. 688.

Depois dos Transtornos Pré-Natalinos, só faltam os Transtornos Pós-Natalinos (mesma sigla)... (fica para o ano que vem).



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