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O Natal perante a Bíblia
São Paulo, 15 de novembro de 2013, sexta-feira.

EDIÇÃO DE 1998 atualizada em 2013
Antonio Carlos Fernandes (Zadoque)

Este trabalho foi desenvolvido na década de 80 (por volta de 1983 ou 84) até a década de 90. Originalmente foi feito com uma máquina de escrever, e as ilustrações inseridas através de colagens. Na época, eu trabalhava como desenhista arte-finalista e pastupista. Isto é, pastup era a atividade de colagens. Isso numa época em que não se encontrava disponível o computador. Mais tarde, todo o trabalho foi digitado no DOS (o Windows ainda não era popularizado), e através de um processador de texto chamado de Chi Writer. Posteriormente passei para o WordPerfect 5.1 para DOS. E finalmente para a versão 7 (para o Windows 95).

A apostila, juntamente com outras publicações, foram divulgadas na época em algumas igrejas evangélicas. Aqui, seu estilo mantém-se inalterado. O que difere dos demais artigos deste site, e que pode estranhar um pouco. Por favor, clique na imagem à direita, e baixe a apostila gratuitamente.

    



Estamos nos aproximando de uma das maiores festas que se comemoram no mundo atual, em que se criou um tipo de espírito aparentemente de paz, de amor e de prosperidade. E nos vem uma pergunta:

Será que é lícito a comemoração de Natal?

Ou: Será que, realmente, este espírito existente hoje em dia, especialmente nesta data, é o espírito que devemos adotar?

Ora, muitas vezes fazemos as coisas sem saber, por exemplo:

Quando se aproxima uma festa deste tipo, passamos aos preparativos que são necessários, tais como: montar a árvore de Natal, colocar os enfeites nas portas, e se preparar para o evento das festas, como se aquele dia nos fosse importante. Mas... Que significa a árvore de Natal? E seus enfeites?

Qual o significado de tudo isso?

“Infelizmente não sabemos” - Esta seria a resposta de muita gente. Pois, desconhecem tudo (ou quase), desde as simbologias existente nos enfeites, até o significado do Papai Noel. Isto é sintomático, visto que ignoramos os significados dos nossos próprios comportamentos, característicos de certos devotos que fazem procissões em dias específicos, e que não entendem na verdade a doutrina que seguem, nem tão pouco os mistérios que tanto a igreja católica apregoa desde séculos.

Esta é a característica da idolatria, disfarçada sob a forma de tradição. É por isso que se fôssemos perguntar o que significa a árvore de Natal, que tem várias formas, desde aquele tipo de papelão, ou revestido de alumínio, ou ramos de diversos tipos, plásticos, com lâmpadas, etc., inicialmente nada obteríamos de resposta.

A tradição é perigosa. Ela pode ser tão cega que esconde as abominações, razão porque valeu do Senhor Jesus Cristo uma severa repreensão aos escribas e fariseus (Marcos 7:8,9-13).

O Natal é na verdade, uma festa baseada em tradições mitológicas-pagãs, carregadas de mensagens esotéricas (ligadas à magia e ocultismo), com as características dos ritos de iniciação (ritos de passagem).

Os cristãos não devem comemorá-lo, nem tão pouco fazer referências a ela. Pois esta tradição além de estar ligada ao paganismo, tem forte influência no mundo, incluindo os próprios crentes. Vejamos então as provas:


O PINHEIRO DE NATAL

São várias as fontes que deram a sua origem, mas nenhuma que merecesse um apoio bíblico, ao contrário, encontramos referências que as condenam.

Desde as civilizações antigas, entre os babilônios, por exemplo, havia uma árvore sagrada que era adorada como se fosse um deus. Os povos frígios tinham a sua árvore, um abeto, que representava o deus Átis, uma variação de Tamuz (ou Dumúzi dos sumerianos) (1).

O cedro de Osiris, a azinheira de Júpiter, o louro de Apolo, e entre outras: seriam, talvez, uma pequena amostra do que existia no mundo antigo (2).

Mas o exemplo que nos esclarece mais, devido às ricas referências que encontramos na Bíblia, é a da deusa Ashera, adorada como uma árvore, seja sob a forma de uma estátua, ou espécie de poste. E cujo filho - Baal, é igualmente conhecido. Ela por si, não foi quem que diretamente deu a origem do pinheiro de Natal; mas tem muito a ver no tocante à finalidade do uso das árvores para representar os deuses, portanto, torna-nos mais evidente o seu aspecto antibíblico, devido às passagens bíblicas que a condena.

Pois, o pinheiro de Natal - tal como a conhecemos - surgiu do culto germânico ao deus Donar. E que era comum, entre os bárbaros, tais cultos. Os celtas, por exemplo, tinham suas práticas ministradas por druidas, seus sacerdotes. Eles adoravam os carvalhos, e tinham até bosques sagrados, que nos lembram as referências bíblicas (3). Praticavam inclusive, sacrifícios humanos, cujo sangue era aspergido sobre altares e árvores (4). Segundo as suas crenças, havia um espírito livre que habitava em cada velho carvalho da sua floresta, e era mantida uma chama sagrada com os galhos dessas árvores (5).

Ora, entre muitas lendas que deram a origem da adoção do pinheiro, consta aquela em que um missionário, de nome Vilfrido, fora pregar para esses bárbaros, (provavelmente uma corruptela católica do verdadeiro Evangelho). Contudo, esse missionário não conseguia arrancar as velhas crenças desses pagãos celtas. Uma das variações da história conta que ele, então, tentou derrubar um carvalho sagrado que se encontrava defronte à sua igreja. No ato da derrubada, formou-se uma enorme tempestade; e, com a queda da árvore, um raio, partindo das nuvens formadas, despedaçou o tronco e espalhou os seus pedaços, mas um pinheirinho novo, que se encontrava no local da queda, nada sofreu com o episódio. Para Vilfrido aquilo era uma mensagem divina. A partir de então, fez do pinheirinho a árvore do menino Jesus (6). Na verdade foi uma forma sutil de deixar passar o paganismo daquele povo, pois eles jamais largaram de cultuar as suas árvores por serem idólatras e, além do mais, mudar o nome de um deus adorado pelo nome do Senhor Jesus Cristo era a mesma coisa que os praticantes de umbanda fazem nos dias de hoje. Não havia portanto, diferença.

Mas julgando que este exemplo possa ser inocente para alguns - achando estes que é possível “adotar” certas práticas pagãs para finalidades bem intencionadas, é que voltamos para o caso da Ashera - uma divindade canaanita - cujo plural masculino é Asherim (também encontrada na Bíblia). E, no tocante à ligação de Ashera com árvores, temos o exemplo de Gideão:

“Naquela mesma noite, disse o Senhor a Gideão: Toma um dos bois de teu pai, a saber, o segundo boi de sete anos, e derriba o altar de Baal, que é de teu pai, e corta a asera (sic) que está ao pé dele.

Edifica ao Senhor teu Deus um altar no cume deste lugar forte, na forma devida; toma o segundo boi, e o oferece em holocausto, com a lenha da asera que cortares.” (Juízes 6:25-26) (7). É muito significativo esta passagem citada acima, pois lenhas não são tiradas de pedaços de estátuas ou de madeira trabalhada, mas sim de árvores, seus galhos, troncos, achas, fragmentos!

Como também não se corta uma estátua, e sim, a derruba. Mas em outras passagens, certamente não nos dão a idéia de ser a Ashera uma árvore:

Era uma imagem esculpida (II Reis 21:7). Podia ser feita (I Reis 16:33; II Reis 17:16; 21:3). Sem contar que podia ser queimada (II Reis 23:6), deitada abaixo (derrubada) (II Reis 18:4), além de que, tinha suas cortinas (II Reis 23:7), vasos (23:4) e, por fim, profetas (I Reis 18:19).

Outro exemplo de representação da deusa Ashera, é a de uma figura feminina nua, segurando os seus dois seios. Na verdade, ela é o símbolo da deusa da fertilidade, da sensualidade, e é a deusa “mãe-Terra”. Como também tem seus semelhantes em vários povos: É a Cibele dos frígios, cujo filho e amante é o citado Átis; Inana dos sumerianos; Ishtar dos babilônios; Astarte dos fenícios. Esta última, virtualmente identificada com a própria Ashera (8), pois, era também adorada como uma figura feminina nua, segurando os próprios seios.

Onde poderia revelar-se então, essa deusa como árvore?

Certamente, a passagem mais significativa se encontra em Deuteronômio 16:21:

“Não plantarás nenhuma árvore como asera, ao pé do altar do Senhor teu Deus que fizeres,”

Ela é uma deusa cananéia, simbolizada por meio de uma árvore.

Na versão corrigida de João Ferreira de Almeida está escrito no lugar de “árvore como asera”, “bosque de árvores”, como assim em muitas passagens, no lugar de Ashera, está escrito “bosques”, “um bosque” e “ídolo do bosque”.

Quanto às passagens encontradas na versão “Revista e Atualizada”, o termo da tradução é “poste-ídolo”, que torna talvez um pouco estranha. Somente na versão “De acordo com os melhores textos em hebraico e grego” de João Ferreira de Almeida, editado pela Imprensa Bíblica Brasileira, como também na Bíblia na “Tradução Brasileira” (Há muito esgotada), é que mantém a palavra no original hebraico: “Asherah”.

John D. Davis, no seu “Dicionário da Bíblia”, p. 57, diz o seguinte sobre a Ashera: “É palavra traduzida uniformemente por ‘Bosque’, porém, não se pode crer que se tirasse do Templo um bosque, como se lê em 2 de Rs 23.6.” (II Reis 23:6). Eis então a transcrição:

“Tirou (Josias) da casa do Senhor a Asera e, levando-a para fora de Jerusalém até o ribeiro de Cedron, ali a queimou e a reduziu a pó, e lançou o pó sobre as sepulturas dos filhos do povo”.

E se vê que este nome - Ashera - é mais convincente do que chamá-la de “bosque de árvores” ou então de “poste-ídolo”, se bem que este último também é possível, apesar da passagem do Deuteronômio 16:21, pois, como o próprio Davis declara mais adiante, era, segundo ele, um tronco de árvore de que foram tirados os ramos (9).


Deusa Atirat ou Ashera
   Fora disso, acerca da raiz histórica da árvore sagrada no Antigo Testamento, a precursora (uma das precursoras) do que temos hoje, sabemos que o pinheiro de Natal é de procedência européia. Foram eles, os europeus, que introduziram a árvore de Natal no mundo todo, além de outras tradições da festa.

É verdade que nenhum cristão, de sã consciência, adoraria uma árvore, ainda que dissesse, como fez Vilfrido, que o pinheirinho representa o menino Jesus. Aliás, nem os católicos, povo idólatra, o faria. E também, hoje em dia não se tem notícias de alguém adorando a uma árvore de Natal.

Porém, não deixa de ser um objeto de idolatria, visto que a procedência é clara, destinada à adoração de deuses, como também, é um objeto de veneração, não só nos lares e templos dos

incrédulos, mas, lamentavelmente, nas famílias evangélicas, principalmente nas igrejas. E cuja advertência está bem clara, na passagem citada de Deuteronômio 16:21: "Não plantarás nenhuma árvore como asera, ao pé do altar do Senhor teu Deus que fizeres".

É óbvio que Ashera está extinta (haja visto que pelo menos 2 mil anos já se passaram, e muitas divindades deixaram de existir). Mas ela sobrevive, sob outros nomes, como o caso da deusa Iemanjá, a rainha do mar da umbanda, e, através de certos movimentos mariólatras dos católicos.

Também sabemos que uma árvore é apenas uma árvore, mas quando enfeitada, torna-se evidente como um objeto de idolatria. Pois uma das práticas que perdurou até os dias de hoje é aquela de pendurar certos presentes nos galhos das árvores, tal como os escandinavos faziam com as suas redes nas árvores (10). Hoje temos, porém, esses enfeites, (que antes) nunca soubemos o seu estranho significado, pois certamente um pinheiro não dá esses tipos de “frutos”.

Satanás é esperto, por isso não sabemos o porquê do pinheiro enfeitado, o que significa os seus enfeites, pois ele nos ocultou esses conhecimento para que, através de nós, fosse profanado o altar e indignasse o nosso Deus!


O DIA 25 DE DEZEMBRO - A origem

Este dia, considerado infelizmente como o dia do nascimento do Senhor Jesus, é na verdade a data comemorativa de diversas divindades. E sua origem é reforçada por vários eventos:

AS SATURNAIS - Era uma das festas pagãs dos romanos. Naqueles dias da antigüidade, no caso desta festa, praticavam toda sorte de imoralidade, um tipo de carnaval.

Era uma festa de alegria, em que se davam presentes uns aos outros (11), os senhores passavam a ser criados, e os criados, ou melhor, escravos, passavam a ser os senhores. E tinham nestas festas, o seu rei. Na verdade, antes, ou na noite dos tempos, era um escravo que, tendo sido eleito como um rei, se divertia como tal, mas que, tendo terminado seus dias de alegria, era “convidado” a se suicidar ou então sacrificado (12).

As Saturnais era na verdade a festa do deus Saturno, e que estava ligada à lenda da “Idade de Ouro” dos antigos povos que habitavam na Península Itálica. Conta a tal lenda que Saturno era o deus principal do Olimpo; mas, uma vez destronado por Júpiter, foi refugiar-se na região de Lácio (Itália), onde ensinava aos homens a agricultura, e inaugurou a era da “Idade de Ouro”, um tipo de paraíso dos pagãos. Nessa festa (que na verdade era a soma de várias, e durava 4 dias do mês de dezembro) procuravam os romanos recriar esta “Idade de Ouro”, dando em conseqüência, uma festa de carnaval (13). Mais tarde, a igreja católica fez coincidir esta dita festa com a outra, do dia 25 de dezembro, que era a comemoração do nascimento do Sol (14).

“NATALIS SOLIS INVICTI” - O DIA DO NASCIMENTO DO SOL INVENCÍVEL
Um imperador, de nome Aureliano, em 274 d.C., estabeleceu para o dia 25 de dezembro, uma festa de consagração ao deus Sol, o “Natalis Solis Invicti” que significa: “Nascimento do Sol Invencível” (15), isto porque naquela época do ano, mês de dezembro, era a entrada da estação de inverno com o solstício hibernal.

Exatamente naquele dia, 25 de dezembro, os povos nórdicos acendiam fogueiras, ornamentavam as ruas com flores e galhos verdes, erguiam altares nas casas, justamente para que, agradando os deuses, o inverno fosse mais brando e o sol retornasse no início de primavera (16).

BAAL
Mas este culto ao sol vem de muito tempo atrás: o culto ao deus Baal, a respeito do qual a Bíblia nos dá muita informação (17). Baal era um deus abominável que os romanos importaram juntamente com os escravos proveniente da Síria, além de mercenários e outros imigrantes.

Com o tempo, sendo sua crença adotada pelos romanos, praticavam sacrifícios de crianças e adolescentes, de forma que valeu do imperador Adriano (76-138 d.C.) um decreto de proibição do culto. Mas, mesmo assim, tais sacrifícios continuavam na clandestinidade. Posteriormente, Baal tornou-se um deus cósmicos, o deus Sol, e foi mais moderado os seus cultos; não tendo desta forma, talvez, tais sacrifícios perversos, tornando-se mais tolerável para os próprios romanos (18).

MITRA
E, também, a festa ao deus Sol se deveu ao culto a Mitra dos persas. Mitra era um deus-guerreiro que tinha sacrificado um touro sagrado, cujo sangue, segundo a crença, serviria para redimir os seus eleitos (19). Era portanto, o culto a Mitra uma forma de perturbar o caminho de Deus, por causa de certa semelhança com o sacrifício de Jesus, e se confirma pela

  
história que esta seita pagã era a que mais predominava em Roma, contra o cristianismo verdadeiro, principalmente tendo proliferado grandemente no exército romano.

Sendo um deus-soldado, era cultuado apenas por homens, e seguiam rituais próprios. Tinham seus graus que se assemelhavam aos graus da moderna maçonaria (20). Era considerado um deus casto (21); e seus adeptos promoviam a fraternidade pela causa do bem (como na maçonaria).

Tal como declara o próprio autor Hadas: “...o culto de Mitra espalhou-se como um incêndio pelo exército romano, por volta do terceiro século a.C. (*). Tornara-se pràticamente a religião extra-oficial dos militares. (...) Sob certos aspectos superficiais, seus ritos não eram muito diferentes dos do cristianismo; havia, por exemplo, uma cerimônia semelhante ao batismo. Aliás, durante algum tempo, mitraísmo e cristianismo disputaram as preferências religiosas de Roma” (22).
(* Possivelmente um erro na hora de transcrição)

Mitra era considerado como o deus Sol, guiando um carro, e seu equivalente grego era o Apolo, como também tinha semelhança com o deus Sol da Índia: Surya, (cerca de 250 a.C.)23. Os adeptos de Mitra celebram também no dia 25 de dezembro o nascimento do deus Sol (24).

Os primeiros cristãos repudiavam estas festas, e quando o imperador Constantino Magno, de Roma, que era na verdade um adorador do Sol, permitiu que aquela data de 25 de dezembro fosse consagrada ao nascimento do Senhor Jesus (25), muitos cristãos simplesmente rejeitavam e não comemoravam o Natal.

E eis a razão dessa repulsa: Era justamente no dia 25 de dezembro que se comemorava a festa pagã do solstício, sendo que, quem fosse participar dela, seria considerado idólatra (26). E, também, não celebravam o Natal porque consideravam a comemoração de um aniversário seja ele qual for, já por si, uma prática pagã (27).

Percebiam também que era uma tentativa por parte da igreja católica, recém-formada, e por parte do imperador, de esconder o paganismo nas festas de dezembro, fazendo com que aquelas festas fossem ao Senhor Jesus. Estavam portanto tentando santificar uma festa, de origem pagã, visto que não conseguiram extirpá-la do povo. Prova disso, sabemos do fato de que, quando foi fundado o catolicismo no século quarto por Constantino, enfrentavam já os missionários romanistas sérios problemas com os bárbaros.

Declara o autor Simons, no seu livro “Os bárbaros na Europa” de que, diante da impossibilidade de fazer com que esses povos abandonassem as suas crenças dos “tradicionais deuses de guerra pagãos e a seus ‘espíritos da natureza’”, resolveram mudar a sua política no trato com os tais. Gregório Magno, o papa (590-604 d.C.), ordenou aos missionários da época a permitir tais práticas pagãs, ao invés de tentar destruí-las. É interessante o que o próprio autor, no final, conclui dessa “política católica”:

“O resultado foi uma religião popular, ou ‘folclórica’ - uma vívida mistura de remanescentes pagãos cristianizados e de práticas cristãs barbarizadas”. (pag. 88-9)

Porém, antes de Gregório Magno, um outro papa, Júlio I, no século IV, já tinha confirmado a ordem do imperador Constantino, e oficializou o dia 25 de dezembro como a data de nascimento do Senhor Jesus (28).

Estava desse modo, introduzido o Natal no mundo cristão. Ritos e tradições ocultas são misturadas com a sã doutrina, corrompendo-a.

Uma advertência, na Bíblia, e que deveria ser considerada, e observada, infelizmente se perde diante de argumentos de muitos que querem justificar esta festa: “não vos associeis às obras infrutuosas das trevas, antes, porém, condenai-as; porque as coisas feitas por eles em oculto, até o dizê-las é vergonhoso.” (Efésios 5:11)

Se a Saturnália, de onde veio a contribuição para a origem do Natal, consiste na inversão de valores, portanto, uma perversão; se temos as evidências que passaram a nós, referentes a sacrifícios humanos (tanto diante de um carvalho dos druidas, como em louvor a Baal); é de se supor que por detrás de todas essas simbologias natalinas, escondam ainda, princípios velados da iniqüidade, sob a forma de luz, fraternidade e amor...


AS OUTRAS SIMBOLOGIAS


Guirlanda
   A GUIRLANDA - Era um costume entre os romanos, a de presentear-se entre si com ramos verdes nas calendas de janeiro, dando felicidades no Ano Novo (festa a Janus) (29).

Posteriormente, com a adoção desses costumes, atualmente a encontramos pendurado nas portas das casas.

O PRESENTE DE NATAL - Procedente das festas de Saturnais, tem a sua origem também no culto ao deus Janus, que era comemorado o dia 1º de janeiro (Janus - Janeiro; festa do Ano Novo).

Este deus era representado tendo duas faces: uma olhava para frente e outra para trás, dando a entender que ele tinha total conhecimento do futuro como, também, do passado. E era colocado a sua cabeça de duas faces nas entradas das casas, pois era o deus da proteção dos átrios e lares (30).

AS VELAS - Tiradas também das Saturnais, eram um dos presentes que os romanos trocavam entre si, juntamente com pequenas bonecas de cera (31).

O PAPAI NOEL - “Uma das lendas mais conhecidas na Europa sobre Papai Noel é a do bispo que queria ser santo. Contam que ele, Nicolau, costumava sair à noite, embuçado no seu manto, com o rosto escondido por um enorme capuz e coberto pela barba e pelo bigode, para não ser reconhecido. Gostava de distribuir doces e brinquedos às criancinhas, principalmente às estudiosas. Ao morrer, lhe apareceu um anjo, que fez seu julgamento: de fato, havia sido muito bom enquanto vivera, quase um santo. Mas, para tornar-se definitivamente um santo, precisava voltar à Terra e praticar, incógnito, milagres e boas ações.

Nicolau concordou. Mas ao preparar-se para a volta, viu por perto um saco de brinquedos das criancinhas que haviam morrido e pediu para trazê-los e distribuí-los entre os pobres. O anjo concordou e ele fêz isso. Depois do prazo determinado, voltou ao céu e foi reconhecido como santo. Mas, como havia gostado tanto de distribuir brinquedos às criancinhas, pediu para voltar ao menos uma vez por ano e poder realizar novamente a tarefa. O anjo concordou e marcou, para isso, a data de 25 de dezembro” (32).

Lendas e mitos são os elementos que alimentam a crença dos homens desde os tempos antigos. É óbvio que a importância da sua veracidade não é questionada, visto que comprometeriam em muito as próprias crenças, ou então, tirariam certo sabor de mistério ou carisma existentes nelas. Muitas crenças em geral, fazem a questão de manter os seus mitos e lendas, pois, são jogos de faz-de-conta, mentiras, que eles prefeririam abraçar, devido ao amor às suas tradições.

É evidente que um cristão deve afastar dos tais, mesmo sabendo que são apenas lendas e aparentemente sem maiores comprometimentos (e sem dúvida que sabem), não justamente por causa das mentiras que sustentam, e sim, por causa das tradições que elas (as lendas e mitos) representam, e que comprometeria o nosso testemunho como cristão. Isto é, se já não convém ao cristão em ser conivente com as mentiras, muito mais, deve ele tomar cuidado com as tradições cegas, e afastar-se delas. Porque, se são cegas, (típicos de idólatras), é porque carregam segredos que não convém serem revelados!

Este suposto missionário católico nasceu na cidade de Mira, Estado de Lícia, na Ásia Menor, no ano 271 d.C.. Filho de família rica, resolveu desmanchar a sua herança, dividindo-a entre os pobres da terra. Morreu no ano 342, e desde então começou a crescer a fama sobre ele. Se não eram milagres, eram sinais misteriosos, e até os seus restos mortais, os ossos, passaram a ser venerados como relíquias principalmente quando descobriram que seu esqueleto exalava uma substância oleosa com milagroso poder curativo (33).

Mas de resto, a festa de S. Nicolau, que era no dia 6 de dezembro (ainda celebrado), passou a ser de Papai Noel, justamente nos meados do século passado, e de origem norte-americana (34). E nos vem uma pergunta:

Por que a figura do S. Nicolau no Papai Noel? Finalidade comercial?

Acontece que, hoje em dia, nem todas as lojas tem a figura de Papai Noel. Além disso, tudo que se apresenta nessa época do ano, já tem uma finalidade comercial, até mesmo quando não tem nada a ver com o Natal.

Deve haver um forte significado para que aparecesse o Papai Noel no dia 25 de dezembro. Cuja finalidade é bem diversa.

O que aconteceu foi o seguinte: Depois dos primeiros cristãos, houve quem que atacasse contra essas festas pagãs. Até que em 1643 (ou 1644) os puritanos, na Inglaterra, proibiram tais comemorações (35).

Essa proibição atingiu também os EUA, sendo que somente em 1836 é que o Natal chegou a ser oficialmente o dia de festa (36). Ora, com a possível ameaça de ser atacado de novo, e desaparecer no novo território, criou-se, então, o mito de Papai Noel. Pois, qual seria então, a forma mais eficaz de manter uma festa que é considerada pagã?

Se fossemos apresentar a origem de Natal na Saturnais dos romanos, no Mitra dos persas, no dia do Sol Invencível, no carvalho de Odim ou então no abeto de Átis, qualquer um admitiria que são crenças e mitos que não correspondem com a realidade de hoje: uma “fantasia” que não se ajusta no presente. Para os dias atuais, não tem sentido em manter as crenças pagãs, com os seus deuses como no passado. Caso isso fosse possível, jamais teria o mesmo sentido, a mesma visão e experiência mística que os seus antigos adoradores tinham. Para o mundo de hoje, existe outra forma de paganismo, ou outra forma de apresentá-lo, tornando-o mais assimilável. Foi justamente por isso que surgiu o Papai Noel no século passado, o século em que a ciência se multiplicaria. Pois o Papai Noel foi feito para crianças e não para adultos. É ele quem que distribui os presentes para as crianças. Cria-se assim, desde cedo, um laço de afeição existente. Tornou-se uma forma de tradição por afeição. O universo infantil é o seu sustentáculo.

Essa é a importância principal do Papai Noel, e não a finalidade comercial. Visto que os outros argumentos pagãos: o pinheiro, os enfeites, a data, se desvaneceriam no mundo atual, já que não dispõem do mesmo vigor que tinha, nas suas origens, e perderiam de vez os seus segredos, que são os motivos principais para o surgimento do Natal. Isto é, as mensagens esotéricas, de interesse para certos tipos de pessoas, iniciadas na magia, ocultismo, bruxaria, etc., etc., e que conhecem tais simbologias natalinas.

Logo, para que se mantivesse esta festa, para que se pudesse transmitir a sua verdadeira mensagem para a posteridade, criou-se o mito do Papai Noel.


A FINALIDADE DA FESTA DE NATAL

Parece-nos que em todas as sociedades sempre existiram tradições e ritos a serem preservados; e que quando fomos questionar as suas origens e significados, são poucos aqueles que saibam a resposta. E muitas vezes ela vem sob a forma de lendas fantásticas, ou histórias absurdas. Da mesma forma, quando estudamos os folclores, encontramos o que poderíamos chamar de verdadeiros absurdos para a nossa inteligência. O Natal não escapa desse exemplo; só que classificá-lo de folclore seria muito simplista demais. Principalmente quando vemos que ele é uma festa muito universalizada - se encontra em qualquer ponto do planeta; e aonde achamos que não está, podemos ter a certeza que, cedo ou tarde acabará chegando lá, nem que seja num país muçulmano.

E quando vemos suas origens e significados, encontramos lendas e tradições assimiladas pelos participantes da festa (inclusive pelos próprios crentes), dando-nos a entender que tem todas as características dos ritos pagãos inseridos nela, só que, sem revelar os verdadeiros significados desses ritos. Isso é, quem comemora o Natal, estará repetindo todos os rituais que os povos antigos havim praticados, no tocante a esta festa: os ritos de passagens do ano; a ceia ritual; os ritos da fertilidade (a árvore de Natal, a guirlanda, etc.); a data comemorativa das divindades solares (25 de dezembro: comemoração de Baal, Osiris e Mitra pelo menos); a encarnação viva dessas divindades numa figura mítica (Papai Noel)... só que, a maioria absoluta não sabe nada sobre essas revelações ou significado dos rituais.

Enfim, todo um clima criado para simular a Saturnália (os enfeites, as músicas); isto é, o mundo de hoje tem a sua Saturnália, chamada de Natal.

E é evidente que a esta altura, torna-se fácil de perceber que seria ridículo dizer que o Natal é a data de nascimento de Jesus, visto que, historicamente ficou comprovado que esse argumento foi na verdade um pretexto para manter tais ritos, preservando-os da destruição. E que seria um absurdo acreditar que os incrédulos comemorassem o nascimento de Jesus, louvando assim a Ele, sem terem sidos entregues, numa verdadeira conversão.

Fica evidente assim que o nascimento de Jesus sempre foi uma fachada para justificar a festa de Natal, principalmente no passado. Hoje, nem é mais preciso desse recurso, visto que temos a figura de Papai Noel.

Mas, por detrás das lendas, existe uma história, por demais real para ser ignorada; e, as tradições nada mais são do que reminescências dos atos praticados no passado. Tanto é verdade que, a troca de presentes, os enfeites, a preparação da ceia de Natal, e as bebedeiras, gulas que vem em seguida, são típicas da Saturnália, e da festa ao deus Janus dos romanos.

Se fosse uma festa ligada exclusivamente nas tradições, sem ter sido vinculada com o argumento de que era consagrada ao nascimento de Jesus, ainda assim, seria questionável a sua aceitação. Mesmo tendo em vista que os deuses já deixaram de ser adorados. Porque, o seu passado tem muito a ver com a manutenção dessa festa: O Natal existe para preservar toda uma cultura pagã essencial, e que de outra forma teria sido extinta. Todos os enfeites natalinos, as tradições, o clima, não estão aí de graça: Carregam cada uma deles, mensagens a serem preservadas, e cujo clima se destina a induzir, nos seus participantes, essa tradição mítica, de forma que cada um deles tornem os novos divulgadores do Natal.

Mesmo que fossemos comemorar o Natal, como uma forma de louvor especial ao Senhor Jesus, estaremos ajudando a manter os ritos pagãos, com todas as suas mensagens. E ainda que o irmão deixe de usar os enfeites natalinos, as músicas, os banquetes especiais, o Natal estará sendo cultuado, preservado pelas tuas mãos. Pode parecer incrível, mas isto é verdade!

Ainda que fosse feito uma comemoração especial (sem mencionar “Natal”), sem os enfeites, em uma outra data, nas proximidades a esta festa... o Natal estará sendo comemorado, preservado, cultuado!!

Incrível?

Pois, o Natal se extrapolou a si próprio, nas suas simbologias. Ela (a festa) se preserva a si mesma. Ela se firmou (com toda a sua transcendência) e se enraizou na sociedade, como uma entidade poderosa, onde qualquer tênue referência à data, aos enfeites, ao clima, a ressuscitará. Enquanto que muitos ritos de iniciação mágica dependem das sociedades esotéricas, secretas, que os preservam; o Natal não: Ele se preserva!

Este é o poder das tradições pagãs, sobrevivendo à própria destruição, diante da extinção de várias civilizações. O Natal foi um pacote preparado, em uma determinada época, por onde pudesse ser introduzido todos os segredos esotéricos possíveis, para serem lançados para a posteridade, nos tempos futuros. E o poder de imposição dessa festa é grande. Tanto que é verdade que, o fato de não comemoramos o Natal, para muitos traz tristezas, remorsos, e até angústias. Há uma pressão para a sua comemoração.

Quanto mais não seria para os irmãos que ainda estão presos ao fascínio do mundo? Aos crentes carnais?

Não devemos ignorar que, a tentativa de justificação, o ato de fazer uma comemoração diferente (em todos os sentidos), é uma maneira de dizer que estão presos às tradições do Natal, e mais: presos às vaidades do mundo. Pois, não edifica em nada, a comemoração dessa festa, dentro do meio evangélico, visto que são elementos estranhos que tendem a prejudicar e macular a sã doutrina. Além disso, como está escrito:

“Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos; pois que sociedade tem a justiça com a injustiça? ou que comunhão tem a luz com as trevas?

Que harmonia há entre Cristo e Belial? ou que parte tem o crente com o incrédulo?” (II Cor. 6:14,15).



NOTAS
  1. ABRIL Cultural. As grandes religiões, 1973, v.1, p.118.
  2. “Árvore” in “Dicionário de símbolos” de Cirlot, p.98-103.
  3. Tais referências encontradas na Bíblia, tem o seu vocábulo mantido no original hebraico - “Asherim” - que é plural de “Ashera”, somente na versão “De acordo com os melhores textos em hebraico e grego” de João Ferreira de Almeida, ou, na versão “Tradução Brasileira”. Eis as referências, se não todas: Deut.12:3; Ex.34:13; I Reis 14:15; II Reis 17:10; 23:14; II Cron.14:3; 31:1; 34:3,4; Is.17:8; etc.
  4. POWELL - Os celtas, p. 158.
  5. NERY, I. - O Natal e seus símbolos, p. 40.
  6. Idem, ibidem.
  7. A BÍBLIA Sagrada - Tradução de João Ferreira de Almeida na versão “De acordo os melhores textos hebraicos e gregos”. NOTA: Edição da Imprensa Bíblica do Brasil.
  8. “Astarte” in “Homem, mito e magia” da Ed. Três, v.3, p.691-93.
  9. “Aserim, Aserá, plural Aserim” em “Dicionário da Bíblia” de Davis, p.57.
  10. “Natal” em “Enciclopédia Delta Universal”, 1980, v.10, pag. 5605-08.
  11. HADAS, Moses et alii - Roma imperial, p.132.
  12. “As Saturnais” em Cirlot - Op. cit., p.511-12.
  13. DONATO - História do calendário, p.26.
  14. “Saturnais (costumes)” in “Crenças, seitas e símbolos religiosos” de Schesinger & Porto, p. 331.
  15. NERY - Op. cit., p. 31-2.
  16. Idem, ibidem.
  17. Deut.4:3; Num.25:4; II Reis 1:2,3; Sal.106:28; Cant.8:11; Os.9:10; Juiz.8:33; etc.
  18. ABRIL Cultural - Op. cit., v.1, p.124.
  19. Idem, ibidem - p.124-26.
  20. HADAS - Op. cit., p. 135-36.
  21. ABRIL - Idem, ibidem.
  22. HADAS - Ibidem.
  23. CULICAN - Medos e persas, p. 183.
  24. ABRIL - Ibidem.
  25. BOWLE, John et alii - Pequena enciclopédia da história do mundo. v.1º, p. 234.
  26. “Natal” in “Grande Enciclopédia Larousse”, v.8, p. 4737. “Enciclopédia Brasileira Mérito”, v.13, p. 630.
  27. ENCICLOPÉDIA Delta Universal - Anot.
  28. GRANDE Enciclopédia Larousse - Anot.
  29. NERY - Op. cit., p.75.
  30. DONATO - Op. cit., p.33.
  31. HADAS - Op. cit., p. 132.
  32. “Papai Noel: A lenda que as crianças adoram” in “Suplemento Feminino” do “Estado de São Paulo”, 24 de dezembro de 1978, p. 7-9.
  33. “Por um mundo de paz e pelo maior entendimento entre os povos” in “Jornal do Imigrante”, Ano IV, no 45, dezembro de 1981, p. 1. 1.
  34. ENCICLOPÉDIA Delta Universal - Op. cit., p. 5608.
  35. Idem, ibidem.
  36. “O Natal” in “Homem, mito e magia”, v.3, p. 688.



AS ILUSTRAÇÕES

Deusa canaanita Atirat ou Ashera - Ilustração baseada na foto, tirada do livro “Homem, Mito e Magia” da Ed. Três, v.I, p.205.

Estatueta votiva de Baal, de bronze, com barrete pontiagudo e brandindo uma arma que se perdeu. Provavelmente do séc. XIII a.C. ou posterior; Beirute, Líbano - Ilustração baseada na foto, tirada do livro “Os Fenícios” de Harden.

Uma Guirlanda - Ilustração própria



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Antonio Carlos Fernandes (Zadoque)
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