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Dicas valiosas para desenhistas iniciantes 01
São Paulo, 14 de maio de 2012, segunda-feira.
Atualizado em 07 de janeiro de 2017, sábado.

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Pouco tempo atrás, recebi vários trabalhos de desenhistas iniciantes, e que pretendiam ser colaboradores de possíveis trabalhos que eu possa repassá-los. E vi que muitos deles eram ainda... digamos... “verdes”. Então, resolvi dar uma mãozinha para o pessoal. Isto é, ajudá-los. Na verdade, a minha intenção inicial era de criar um curso online. Mas notei que existem muitas boas referências na Internet. Principalmente no Youtube. Basta dar uma olhada, para ter todos os materiais necessários para tornar-se em um excelente desenhista. Então, decidi fazer a minha pequena contribuição, dando algumas dicas, e acrescentando algo.

IMPORTANTE: Essas dicas não são para serem seguidas à risca. E sim, apenas uma sugestão ou idéias. Elas mostram uma linha de raciocínio e tendência: A minha visão do que seja uma realização em Artes. Você pode não concordá-las, mas por favor, leia-as na íntegra. Creio que alguma coisa pode lhe ser útil.

Na verdade, você está diante de outras referências: A de um artista de outra época. Eu diria um pouco “vintage” ou “retrô”. E certamente poderá estranhar. Mas vale pelas informações e dicas. Mesmo que sejam apresentados os materiais usados e estranhos até para a tua existência. Pelo menos você terá a grande oportunidade de conhecer o meu “acervo museológico”, e que foi muito utilizado em uma época. E que continuo usando até agora. Em suma...

Logo abaixo exponho os métodos tradicionais para desenhar, sem o uso da informática. Nada de mesas digitalizadoras. Nem mesmo acerca do design digital, com o uso de programas gráficos para tanto. Mas eventualmente serão apresentados links e as abordagens sobre os tais.

Para que o curso tenha consistência, criei um projeto específico. Isto é, um objetivo para direcionar todas as etapas do curso: O preparo para tornar-se em um quadrinista de mão cheia. E que possa viver da sua arte.

Caso não houver os interesses, ou que a demanda por esse curso for insuficiente, o projeto simplesmente pára. Pois, trata-se de uma experiência didática.



Como se faz um bom desenhista

Um bom curso de desenho ou de arte não forma um bom desenhista, ilustrador ou artista plástico, apenas dá as referências e orientações. Pois para tornar-se em um bom desenhista, depende muito de você, da tua vocação, interesse, habilidades etc. Mesmo que não tenha as habilidades, pode adquiri-las. Mas o mais importante é a motivação: O interesse em realizar-se nessa área. E principalmente a paixão. Isto é, o grande prazer em assumir e realizar-se como tal. Porque o verdadeiro diploma de um desenhista, ilustrador ou artista plástico não é aquele que ele adquire em uma escola ou faculdade, e sim, os seus trabalhos apresentados. São eles que atestam a sua qualidade e o talento. Isto é, o seu portfolio é o seu diploma.


Característica ideal

Todo bom desenhista, ilustrador e principalmente artista plástico é um autodidata. Mesmo quando ele fez cursos específicos, foi para adquirir certas habilidades ou esclarecer certas dúvidas, e que de outra forma não seria possível. Mas em geral, ele mesmo toma as iniciativas no seu próprio aprendizado de novas técnicas e habilidades. Porque a Arte é essencialmente experimental e momentos de descobertas.

Como bom desenhista (ou futuro...) você deve desenhar constantemente. Seja para captar certas observações feitas, como para desenvolver as suas idéias. Pois, estas não podem ser interrompidas, e sim, devem fluir. Razão porque deve andar com um caderno de desenho ou sketchbook, acompanhado de um instrumento de desenho - um lápis, de preferência, e sempre grudado nele. Isto para poder exercitar a sua percepção e interpretação do mundo.

Se você não tem um, o meu conselho é que adquira o seu. Tem de vários tamanhos, formatos etc. o sketch deve ser facilmente transportável, e que você possa alcançá-lo rapidamente. Pode caber no bolso de uma camisa, ou numa pasta. Depende do tipo que você escolheu. A idéia é que se não tiver o que fazer, vai desenhando.


A importância das experiências pessoais

Além do uso do sketch no dia-a-dia, o que diferencia um desenhista do outro, e que potencializa a sua criatividade, é a sua experiência pessoal. Isto significa a necessidade de desenvolver seus projetos próprios. Isto é, suas idéias, mas planejadas. Porém... Não importa em que condições você se encontra. Nem se a tua experiência pessoal foi um sucesso ou não. Sempre enriquece. Mesmo sendo uma vida de fracassos, sempre edificam. Pois, cada experiência é singular. E isto marca o seu trabalho.


As referências, o que precisa saber e os clássicos

Todo bom desenhista tem como referências, os trabalhos dos outros, e que foram consagrados. Em cada área, tem os brilhantes desenhistas, ilustradores etc., e que servem como referências para o nosso desenvolvimento. Porém, esses também tem as suas referências. E se você for pesquisar, verá que todos acabam terminando nos clássicos: Michelangelo, Leonardo da Vinci, Rafhael, Rembrandt, Ingres etc. Muitos deles provenientes da Renascença (veja sobre o Renascimento).

Muitos dos seus trabalhos estão em grandes museus, galerias e em publicações especializadas. No meu entender, um bom desenhista deve visitar os museus, de vez emquanto, só para ver os outros estilos, artes etc.

Mas... afinal, por que os clássicos? Simplesmente porque esses caras chegaram ao limite da observação e da perfeição estética, até aonde podiam. Eles mesmo tinham como referências, outros que vinham antes... Até milhares de anos atrás. Isto é, desde a Grécia Antiga. Foi um longo processo de evolução e aprendizado da nossa civilização. Portanto, são boas referências para sabermos aonde estamos pisando. Eles deixaram nos seus trabalhos os seguintes para nós:

  • Geometria.
  • Composição.
  • Perspectiva.
  • Luz, sombra e contrastes.
  • Teoria das cores.
  • Anatomia humana (e dos animais).
  • Possivelmente outros não citados.
Percebe-se que vai além dos próprios clássicos. Não importa qual o estilo adotado, o artista precisa ter pelo menos os conhecimentos nessas áreas ...e ter experimentado outros estilos de desenhos (alguns). Não superficialmente, mas pelo menos um pouco mais a fundo.


O caso da anatomia humana

Se você não conhece as noções básicas, pode ter a certeza que vai cometer os erros, e facilmente visíveis. Mesmo para quem que interessa apenas em desenhar os mangás, e não quer saber nada sobre os clássicos, não têm como escapar: Os defeitos aparecem.

Aqui eu faço a minha observação: Quando recebi os trabalhos de desenhistas, e que tinham figuras humanas, estas foram as primeiras a serem avaliadas. De onde tiro a conclusão se o sujeito de fato é bom ou não. Principalmente se tiver retratos. Justamente aonde os defeitos são bem mais visíveis.

Se você pretende desenhar figuras humanas, deve conhecer bem toda a anatomia. E a melhor maneira de fazer isso é praticando, seja através de observações, ou através de livros mesmo. Você pode usar os mangás ou os quadrinhos. Mas eles tem os seus problemas, além de vantagens. Mais tarde (em oum outro curso mais adiante) mostrarei como resolvê-los.


Os materiais básicos de um desenhista e artista plástico

O leque de opções é vasto: Você pode trabalhar com poucos materiais; ou com um arsenal de recursos para atingir os teus propósitos. Evidentemente que para um iniciante, deve conhecer as ferramentas básicas. Então, não se preocupe em comprar todos os materiais. Simplesmente comece com o que tem, e aos poucos vai avançando, de acordo com a tua preferência e desenvolvimento.

Não se intimide com a grande profusão de materiais. Porque eles são adquiridos com o tempo. No meu caso, foi ao longo de anos, e de acordo com as necessidades e curiosidades. Não vale a pena adquirir os materiais caros, quando não precisam deles de imediato. Salvo você já tenha definido os teus interesses futuros, e percebeu da necessidade desses materiais.

O lápis... (1)
Prefira os que tenham as durezas: B, 3B e 6B. Muitos escolhem o HB como o lápis para desenhar. Depende do teu gosto. Pode ser também lapizeiras (4, 5) (nesse caso, tem que ser pelo menos dois). Mas se for essa a opção, sugiro que sejam aquelas que trabalhem com minas de 2 mm para mais. A razão é simples: Existem traçados e sombras em que você faz melhor com essas espessuras. Outra opção interessante são os lápis feitos inteiramente de grafite puro (tipo Progresso) (2, 3) para traços vigorosos, intensos etc. Mas cuidado que eles quebram facilmente.

Você pode usar as lapizeiras de 0,9 mm, 0,7, 0,5 ou 0,3 mm. Elas são práticas e precisas. Mas nem tanto: Têm a facilidade de marcar o papel, e restringem bastante no uso do sombreado. Um desenhista que saiba usar um lápis comum, consegue fazer os traços precisos sem marcar o papel. Mas isto depende também do gosto e facilidade de cada um.

Borrachas
Faz tempo que não uso aquelas verdes (6), e por uma simples razão: Elas danificam um pouco as fibras de papel. A solução são as borrachas limpa tipos (7, 8). Elas vêm embrulhadas com um filme plástico, e podem ser manipuladas como massa de modelar. Podem ser deformadas para facilitar os seus usos (9). Excelentes para descarregar as frustrações, quando não consegue os resultados desejados nos desenhos. Tem dois tipos: Para lápis; e para carvão, sangüínea, pastéis etc. O nome limpa tipos se deve ao fato de serem utilizados para limpar os cabeçotes das máquinas de escrever (os tipos). Isto numa época em que não era popularizado os computadores. Eu mesmo utilizava isto.

Estas borrachas limpa tipos são atuais: Você as encontram nas papelarias que vendem os produtos importados. E custam em média de R$ 4,00 a R$ 10,00.

Além dessas, você vai precisar de borracha de plástico (aquela do tipo branca e que exala cheiro perfumado) (13). Mas tome cuidado: Esse tipo de borracha é instável, razão porque do cheiro, uma vez que está soltando químicos. E ataca certos plásticos. Se for deixá-la encostada em um estojo plástico do tipo rígido (portanto quebrável), corre-se o risco de “dissolver” a parte em contato. Enfim, vai precisar também de borracha de areia (12) e uma lâmina de barbear (11) ou de estilete. Sim, tem casos em que vai ter de usá-las (mais tarde explico aonde).

Um canivete, uma pedra de afiar pequena e jogo de lixas
Você poderia usar até um apontador de lápis. Mas ele não serve para outras utilidades, como, por exemplo, conseguir uma ponta precisa, chanfrar a ponta e apontar o lápis carvão,sangüínea etc. Além disso, um canivete é sempre útil (15). Você poderia utilizar um estilete. Mas este tem também as suas limitações. Ele é muito prático para cortar papéis, cartolinas, papelões etc. É bom ter os dois então. E o jogo de lixa (10) serve não apenas para apontar lápis, mas também para preparar o esfuminho e outras. A pedra de afiar (14), é claro, é para o canivete e os tira-linhas (mais tarde te explico o que é isto, caso você não saiba).

Jogos de esquadros, curvas francesas, réguas e transferidor
De preferência todos em acrílicos, exceto os gabaritos. São dois tipos de esquadros (16), o de 45 graus e o de 60 graus. A proporção entre eles deve ser tal como apresentada na figura. Convém dispor de vários tamanhos. Os apresentados na imagem são as menores. Não recomendo: Coloquei aí justamente para ocupar menos espaço, permitindo mostrar as demais peças. São vários tipos de curva francesa (17). A apresentada é a tradicional (e a menor de todas). Igualmente é bom ter de vários tamanhos. O transferidor muitas vezes não é essencial (19), mas é bom ter. A régua apresentada é de 30 cm (18). Dê preferência àquelas que tem as escalas gravadas, e não impressas (o mesmo para o transferidor). Pois, com o tempo as que foram impressas podem ser apagadas com o atrito pelo uso constante. Se ainda for possível, mais duas réguas, mas de aço (evite as de alumínio),sendo que uma tenha pelo menos 60 cm ou 1 metro. Servem para cortar os papéis e cartolinas. Você pode adquirir também uma régua flexível para curvas extensas.

Gabaritos
Vários tipos e principalmente de elipses, em vários ângulos e tamanhos (21). Pois elas representam as projeções de círculos em várias perspectivas. São importantes para quem que pretenda desenhar quadrinhos. Convém adquirir também, os gabaritos de círculos (20) e de outros formatos (22), inclusive os arquitetônicos.

Compasso técnico
Prefira aquele que permita desenhar um círculo de 50 cm de diâmetro pelo menos (23). E de preferência, que possa aumentar esse diâmetro com um alongador (27). E um outro, que possa desenhar um círculo com menos de 3 mm. Nesse caso, usa-se um compasso balaústre ou bailarino (chamado também de bomba), e que pode vir acompanhado aqui de um tira-linha (24). A vantagem desse último é que permite desenhar círculos bem menores e com estabilidade. No compasso comum, você até consegue, mas precisaria ter uma certa habilidade em usá-lo. Importantes: Que possa adaptar nesses compassos as canetas técnicas a nanquim, além do uso de tira-linhas. Um bom compasso deve permitir também, adaptar um estilete para cortes.

Existem vários tipos de adaptadores para compassos. Tem até um que serve para prender qualquer material de escrita (30). Justamente um estilete de cabo tubular é bem-vindo, para efetuar os cortes em círculos. Mas a peça fundamental, a meu ver, e que serve para adaptar uma caneta técnica no compasso, é a que se encontra no meio das pernas do primeiro compasso (26), e que é da marca Trident. Pois, ela é versátil, e serve também para o compasso bailarino à direita. É através dela, que torna-se possível fazer círculos menores de 3 mm de diâmetros até mesmo no compasso comum. Os demais adaptadores não conseguem isso, devido aos seus próprios formatos.

Aliás, não encontrei nenhum adaptador equivalente fora do Brasil (através da Internet). Portanto, essa peça (o 26) é inédita. E não consegui visualizar nos sofisticados compassos que se vendem por aí, a possibilidade de fazer círculos menores de 3 mm, principalmente com as canetas técnicas a nanquim. Talvez exista até. O problema é que atualmente essa versátil peça não vem juntamente nos compassos da Trident. Antes, quando comprei o estojo, o adaptador vinha junto. Agora você vai ter de comprá-la separadamente. Mas vale a pena.

Essa peça se encontra na papelaria Fruto de Arte (Rua Marques de Itu, 314). É possível que tenha em outras lojas. Mas não foi confirmado. Caso você encontre, convém que compre pelo menos duas. Aproveite e leve mais duas agulhas para o compasso, que também deve vender lá.

Outros acessórios mostrados: Adaptador comum para canetas técnicas a nanquim (29), porta-minas do compasso bailarino (25), agulhas extras para o compasso comum (28), e o alongador que vem junto com um tira-linha (27). Coloquei-os juntos, para usá-los como um tira-linha com cabo. Além disso, o estojo de compasso Staedtler Arco, acompanhado de um tira-linha e um estojo de minas (31).

O estojo de compasso Staedtler Arco foi adquirido na feira de antigüidades do MASP por R$ 20,00 (em meados de 2013). O compasso bailarino, da marca polonesa Scala, foi adquirido na Papelaria Rosário por R$ 13,00 (mesmo período... preço incrível...). A papelaria fica na Rua Cel. Xavier de Toledo, 242. O alongador com o tira-linha, bem... veio junto a um compasso que comprei na Feira do Bexiga, por R$ 50,00. O compasso não era bom, mas o que salvou foi justamente o alongador e o tira-linha, que coloco junto com o compasso comum da Trident.

Em condições normais, um compasso técnico razoável (e que não tem todos os recursos apresentados), sairia mais de R$ 90,00, creio eu. Mas é possível adquirir um jogo completo de compassos clássicos, como da marca suíça Kern; ou de outras marcas razoavelmente boa.

Peças consideradas “vintages” (ou retrô), você encontra justamente na Feira de Antigüiddes do MASP, na Feira do Bexiga ou em qualquer feiras de antigüidades por aí. Os preços variam de R$ 150,00 a R$ 500,00. Dependendo da marca, do estado de conservação, do número de peças ou do estado de humor do vendedor. Geralmente por esse preço, consegue-se um estojo com três ou quatro compassos, além de tira-linhas e outros acessórios.

Por isso, quando for para uma feira dessas, e com o intuito de adquirir algo, convém levar o dinheiro em espécie. Nada de cheque ou cartões. Pois, muitas vezes consegue-se bom negócio quando já tem o dinheiro na mão, e a capacidade para tentar pechinchar.

Quando for comprar as peças, preste atenção nos seguintes quesitos:

  • As juntas não devem estar frouxas, ou ter folgas. Isto é, as pernas de um compasso devem apresentar uma certa resistência ao abrir e fechá-los. Geralmente essa resistência é feita através de parafusos que prende os braços na cabeça do compasso. Se possível, tente acessar a esses parafusos. Em alguns modelos,existem um espécie de capa que cobre os parafusos. É o caso do compasso da Trident. Em outros, apresentam mecanismo complexo de articulação (e o caso de certos modelos da Kern e de outras marcas).
  • Nos casos dos parafusos, estes não devem estar espenados. Tanto os das juntas, como os que prendem as peças no compasso. Igualmente os parafusos de tira-linhas devem estar em boas condições.
  • As peças devem encaixar-se entre si e sem problemas.
  • As pontas de um compasso devem encostar entre si: Abra as pernas do compasso, em seguida, dobre as juntas, de modo que as pontas se encostem. Se isso não ocorrer, significa que você terá problemas para fazer círculos pequenos. Pois, o diâmetro mínimo será exatamente a distância entre as pontas. Até é possível tentar consertar o problema. Isto se você tiver habilidade e coragem para tanto.
  • A ferrugem: Não é problema se for pouco. Dá para eliminá-la com palha de aço. Mesmo nos tira-linhas, é possível raspá-la com um estilete. Mas se atingir as juntas, considere-se em desistir de comprá-lo.
  • Quando se trata de um estojo, cada peça deve ser verificada. E se não falte nada. É possível encontrar peças de outras marcas para substituir as que faltam. Nesse caso, deve deixar claro para o vendedor de que você percebeu o detalhe. E negociar o preço do conjunto, se for da tua intenção em adquiri-lo.

Pode ser interessante comprar compassos com defeitos, ou jogos que faltem peças. Desde que:

  • Você tenha habilidades para consertar as peças. E/ou...
  • Você dispõe de peças ou acessórios avulsos para substitui-las ou tentar adaptá-las. Foi o que fiz com o alongador e o tira-linha para compasso da Trident.
Estiletes, tesoura e canivete
Você vai precisar pelo menos de dois do tipo Olfa: O comum, de uso geral (35); e o maior, para cortar papelões e cartolinas (36). Além disso, o ideal é ter um terceiro, de ponta fina, para cortes detalhados (32 a 34). Pode usar as lâminas de bisturi e com cabo (o BIC 11) (32). Os cortes geralmente são feitos em cima de uma placa especial para isso. Mas eu prefiro usar placas de vidro. Desde que não force as lâminas do estilete, para não riscar a própria placa.

A tesoura (38) - De preferência, de aço carbono. Pois, é fácil de afiar, apesar de enferrujar-se com facilidade e ser pesada. As tesouras atuais são de aço inoxidável e leves. Mas é de difícil afiação. A tesoura não pode faltar na prancheta do desenhista.

E é claro: O canivete (37).

Penas de aço para tinta nanquim (traços a bico-de-pena)
Elas são fundamentais para traços finalizados. No mercado, dificilmente são aceitos os desenhos feitos a lápis. Exceto os retratos e alguma outra coisa. Comercialmente os traços devem ser nítidos e que facilitem a reprodução para serem publicados. As penas são relativamente baratas e duram bastante. Eu diria a vida toda. As que eu tenho (apresentadas aqui) foram adquiridas quase quarenta anos atrás, e servem perfeitamente bem! Além das penas, você vai precisar de cabos para elas. Tem aquelas do tipo mosquito, e que não deve faltar na tua coleção.

Para os traçados corriqueiros, você pode usar as penas comuns (39, 45) ou do tipo mosquito (46). Tem uma, que é importada da França, e que é muito prática: A pena pode ser removida e inserida ao contrário, protegendo assim a ponta (47). Para usá-la, você mergulha a pena no vidro de nanquim. Pode-se usar o bico conta-gotas de um frasco de tinta. Mas não acho prático. E depois, para limpá-la, tire o excesso de tinta com um papel absorvente. E em seguida, limpe a peça com álcool comum.

Para os quadrinhos (e mangás) porém, o ideal são as penas do tipo Redis (41), e que eram utilizados pelo pessoal do Maurício de Souza, no começo da minha carreira. Não sei como é hoje, uma vez que tudo foi informatizado. Essas penas foram projetadas para as escritas em desenhos técnicos, em que os traços devem ser precisos. Pois, tem de várias espessuras, e apresentam um tipo de peças de metal por cima, para reter maior quantidade de tinta, e que vai fluindo para a ponta da pena, na medida em que são feitos os traços. Certamente que o profissional tem que ter mão firme e prática de um calígrafo.

Falando nisso, existem as penas caligráficas especiais (42, 43 e 44), muito utilizadas na confecção de diplomas e certificados. Elas são insuperáveis. E até agora, nenhum instrumento de escrita equivale a elas. A não ser as canetas-tinteiros com as penas caligráficas. Mas estas só podem trabalhar com as tintas específicas. Ao passo que as primeiras podem trabalhar com várias outras. Mesmo com a tecnologia da informática, as escritas caligráficas são imprescindíveis, justamente por causa das confecções de diplomas, certificados e de outros documentos importante. Um profissional que domina essas escritas, com um bom repertório de estilo, sendo esteticamente bem feitas e apreciadas, com certeza terá o seu nicho de trabalho garantido.

Um bom desenhista deve ter uma certa habilidade caligráfica também. E por diversos motivos: Deste as frases dos balões em quadrinhos, passando para os sons onomatopaicos, até a necessidade de criar ilustrações acompanhadas de textos. Não precisa mergulhar muito. Basta ir aonde sentir a necessidade.

Estiletes para scratchboard (40) - Trabalha sobre o papel scratchboard: Espécie de cartão coberto com gesso por cima. E em seguida, uma camada de nanquim espalhado sobre a superfície. Utiliza-se o estilete para desenhar sobre essa superfície. O resultado lembra um pouco as artes feitas em xilogravura. Provavelmente este tipo de papel não encontra-se à venda, sendo necessário prepará-lo.

A única experiência que tive foi trabalhar em cima do papel couché: Faz-se o desenho a bico-de-pena. E as partes de sombra, eu pincelava com o nanquim. Em seguida, raspava o desenho sobre a sombra, criando sinuetas, por exemplo. Esta técnica foi muito utilizada para certos tipos de quadrinhos, como o Kripta (histórias de terror); e até no Conan, o bárbaro.

Os tira-linhas (48) - Durante muito tempo foram utilizadas nos desenhos técnicos. Consiste em uma peça com duas linguetas de aço, afastadas, e que eram aproximadas através do ajuste de um parafuso. Com isso, podia fazer traços uniformes e de diversas larguras, de acordo com o ajuste desse parafuso. Isto antes do advento das canetas técnicas a nanquim. Certamente que trabalhavam juntamente com as penas do tipo Redis.

O instrumento é bastante versátil: Pode ser utilizada para fazer ilustrações também. É uma questão de prática. Além disso, para quem que trabalha com aquarelas, e mexe com latex líquido para fazer as máscaras, é a ferramenta ideal para aplicar o líquido sobre o trabalho. Isto porque o latex líquido apresenta na sua composição a amônia, que ataca os pelos do pincel. E era comum secar, muito rapidamente, impedindo de lavar o pincel. Com isso, este fica inutilizado. No caso do tira-linha é diferente: Quando a latex seca na ponta deste, basta arrancá-lo com um pedaço de cartolina, inserido facilmente entre as linguetas da peça. Muito prático.

Na minha opinião, um desenhista não pode deixar de ter uma ferramenta desta. Pois, serve também para fazer molduras em que precisam ter traços bem grossos (algo como 1 mm de espessura). A mesma ferramenta pode fazer traços mais finos do que 0,1 mm. Mas caso você adquira um tira-linha, convém verificar se é preciso acertar as pontas afiando-as com uma pedra ou lixa. Pois, estas precisam estar também niveladas.

Para saber mais sobre tira-linhas, procure na Internet a palavra “Ruling pen”.

As penas de aço tem grandes vantagens: São extremamente duráveis, quando bem tratadas. E podem trabalhar com qualquer tipo de tinta, inclusive a base de solventes. Mas apresentam as seguintes desvantagens: Não podem ser utilizadas nos gabaritos, nem para fazer os círculos. E também requerem limpezas após o uso. O que significa a eliminação de restos de tinta. Estes evidentemente são os desperdícios feitos.

As tintas a nanquim... Tome o cuidado!
Existe no mercado um produto Tching-ling e que deve ser banido do teu acervo. O frasco abaixo é o dito cujo, e alvo de cobiça para desenhistas inexperientes e que “choram” por causa do preço dos produtos importados. Então, o comerciante empurra essa porcaria, dizendo que é tinta a nanquim mais barata, pois é made in China (ou made in PRC...). O frasco de fato engana pelo volume. Mas não é tinta a nanquim nem na China!

O problema é que se você nunca teve experiência em trabalhar com o nanquim, e tiver a infelicidade de usar esse tipo de material, vai achar que o nanquim é esta porcaria mesmo. E deixará de conhecer as vantagens do verdadeiro nanquim, e ficará deparando com supostos problemas insolúveis... Outra forma de enganar você, te confundindo.

Uma tinta a nanquim deve apresentar boa resistência à água depois de seca. De modo que você possa pintar por cima do desenho feito com ela. Muitas vezes fiz isso nos quadrinhos. A gente pintava com a Ecoline (aquarela líquida) sobre os desenhos finalizados a nanquim. Além disso, a verdadeira tinta a nanquim formava uma crosta brilhante por cima. Isto porque a sua composição é feita de fuligem (carvão) e goma arábica. E é justamente este aglutinante que dava o brilho.

Indiretamente você já deve entender que as canetas descartáveis para desenho não são a nanquim, mesmo que os traços feitos sejam resistentes a água. Experimente as tintas da Talens, Pelikan, Staedler Mars, Rotring ou até da Trident. E compare com os traços feitos com essas canetas descartáveis. Evidentemente que elas são boas. Mas dão outros resultados, e sutis.

Algumas das marcas citadas até que borram. Mas ligeiramente. E se você for passar uma pincelada rápida para colorir, os traços a nanquim permanecem firmes.

Bom... Sobre a tinta Tching-ling citado, caso você teve a infelicidade de adquiri-la, faça um desenho com ela, e depois, pinte por cima, para ver no que vai dar. Eu acho que uma caneta hidrocor, cuja tinta é borrável com água, sairia melhor. Aqui entra um conselho importante:

Um desenhista, assim como um artista plástico, não deve economizar na aquisição de materiais. Pois, o barato sai caro. E bem caro. Principalmente se você valoriza o teu trabalho, não vai querer que ele seja feito com material de quinta categoria.

Solução: Já que você adquiriu a tinta, use-a para exercícios descompromissados em desenhos a bico-de-penas. Mas apenas rabiscos ou rascunhos. Ou então, para exercícios em escritas caligráficas. E não tente pintar algo em cima dos traços, senão vai arrepender-se.

Pincéis para tinta a nanquim
Além de penas, os traços a nanquim podem ser feitos com pincéis. E todo mundo sabe que os melhores pincéis são aqueles que usam os pelos de marta... Não, não se trata de alguém chamada de Marta, e sim, de um animalzinho: O kolinsky, e que encontra-se na China e na Rússia (desculpem-me, não resisti...). Esses pincéis são ideais para pintura a guache e aquarela. Mas eles são inadequados para os traços a nanquim. Pois, o nanquim é ácido e ataca esses pelos. Com o tempo, eles tornam-se ressecados e vão quebrando aos poucos. Nesse caso, os pincéis ideais para o nanquim são os de pelos sintéticos. Escolha aqueles cuja maciez seja a mais próxima dos de pelos de marta. A dica: Procure por pincéis de pelos sintético (profissionais ou de boa qualidade), mas para aquarelas, como apresentado abaixo.




Canetas técnicas a nanquim
Elas são os instrumentos mais úteis e práticos para o desenhista. Eu diria que são essenciais. Você pode dispensar as penas de metal, mas não as canetas. Pois, certos trabalhos não podem ser feitos com as penas. Por exemplo: O uso dos gabaritos. Mas as canetas adequadas são aquelas de ponta de aço e recarregáveis. E não as descartáveis de ponta porosa. Pois, estas, não resistem ao uso intenso (as pontas vão abrindo pela pressão contínua de uso). Seriam inadequadas para as técnicas de pontilhados nas ilustrações científicas, por exemplo.

As marcas de canetas: Staedtler Mars Matic 700 (51), era considerada uma das melhores. A Rotring Variant (52) a mais popular no mercado. A caneta Mecanorma foi o último modelo lançado (53), e que não cheguei a usá-la. Difere das demais pela praticidade de abrir e fechar a tampa, além do carregamento da tinta. Porém, ouvi reclamações de que vazava com facilidade. Faber Castell TG era a marca com que trabalhei mais (54). O seu diferencial está na maneira como é colocada a pena (que não é rosqueada e sim, pressionada no corpo desta), além disso, apresentava uma cápsula com higroelemento na tampa, e que indicava a umidade do dispositivo. A Leroy (55) foi considerada a melhor caneta do mercado. Mas nunca usei no trabalho.

Outras peças: Estrator de penas da Leroy (56). Estrator da Faber Castell (57). E as penas avulsas da Faber Castell (58). Atualmente uso as canetas da Rotring Rapidograph (50); e a caneta Desegraph (49) e que é fabricada pela Trident. Mas esta na espessura 0,2 mm para testar as possíveis soluções para os problemas encontrados. Pois...

Infelizmente as boas canetas técnicas sumiram do mercado. O que temos é justamente esta, de fabricação nacional, e que muitos consideram como aceitáveis. Principalmente esta geração, que não conheceram a qualidade dos materiais de antigamente. Por exemplo: Se você for usar a Desegraph 0,2 mm de espessura, certamente terá problemas se for deixá-la com a tinta por uma semana parada. Mesmo com a tampa bem fechada. Isto é, a tinta resseca dentro dela, e/ou entope a ponteira. Seria preciso molhar a ponteira na água, e agitar vigorosamente a caneta, até que ela consiga escrever. Caso não, deve repetir todo o processo.

Acontece que as canetas importadas com que trabalhei (e até as nacionais mas de tecnologia estrangeira), podem ficar com as tintas dentro dela por mais de um mês sem trazer problemas. Basta dar uma agitada e pronto. Isto é, comparando as canetas com a mesma espessura de traço, a 0,2 mm. Eu diria que podem ficar pelo menos por três meses ou mais nessas condições. Todas elas, sem excessão, nunca deram problemas.

Isto nos dá a idéia de como caimos na qualidade de material utilizado. Aqui no Brasil, parece que é apenas uma importadora que atende a todos os revendedores: A Summit. Eu já tentei entrar em contato com o pessoal. Foi inútil. Ela importa os compassos técnicos da Staedtler Mars, e que foram projetados para utilizar as canetas técnicas. Mas não importa as canetas técnicas do mesmo fabricante. As possíveis causas podem ser: Os preços dessas canetas importadas são caras demais; ou um monopólio velado, para proteger um fabricante nacional. É para pensar.

Se você for procurar na Internet, vai encontrar muita coisa. Mas também lá fora parece haver uma retração desses materiais. Veja mais adiante (aqui) onde encontrar as canetas técnicas. Caso pretenda arriscar em importar esses materiais.

Uma boa solução: Como evitar que as canetas Desegraph ressequem
Como eu tinha dito, estava fazendo experiências com uma caneta Desegraph, na espessura de 0,2 mm. E a solução que encontrei, para evitar que ela resseque é justamente esta: Coloque todas as canetas, com as respectivas tampas bem fechadas, em um pote grande, daqueles usados em maioneses, e coloque um pequeno frasco com água, do tipo para perfume, mas sem a tampa, dentro do pote. De preferência, o frasco deve ser do tamanho adequado, de modo que não vire e nem derrame a água (eu usei um pequeno tubo de ensaio). As canetas devem estar posicionadas com as ponteiras (ou as tampas) para cima. E feche bem o pote quando não está usando elas. Com isso, a umidade criada evitará que as tintas dos depósitos evaporem, e que as penas ressequem. Descobri que as canetas Desegraph são uma das raras marcas em que os clips das tampas são de aço inoxidável. Então elas não enferrujam. E pelo menos por uma semana, a caneta estava pronta para desenhar logo que tirei do frasco. Passado um mês, ela continua escrevendo.

Certamente que existe um outro problema, conseqüentemente a solução apresentada acima não será perfeita. Mais adiante apresentarei esse problema, e como resolvê-lo.

Como limpar as penas das canetas
Existem momentos em que você precisa abrir a própria pena, para tirar os resíduos de tinta. Isto quando a limpeza comum não resolve. Esta parte é a mais delicada de todas. Principalmente se as penas tiverem menos de 0,3 mm de espessuras. Eis as instruções:

Prepare sobre uma superfície horizontal um pano ou papel absorvente:

Tire a parte de trás da pena. Certas marcas ela é rosqueada. Outras não. Em seguida, tire o pino com a agulha. Ele deve ser colocada em uma tigelinha com água. Não precisa do detergente ou sabão. Esfregue-a cuidadosamente com os dedos, para tirar as crostas de tinta. Em seguida, coloque-a sobre o pano ou papel absorvente.

Caso você não consiga tirar o pino com a agulha, ou que este saiu sem a agulha, considere-se perdido a pena: Tornou-se irrecuperável. Mas se você conseguiu...

Se a tinta estiver endurecida, ou bem grossa, dentro da pena, tire-a com um palito de dente. Em seguida, mergulhe-a em uma tigela com água, e limpe-a com o mesmo, para tirar o resto da tinta. Cuidado: Se estiver fazendo isto em uma pia, antes, coloque um filtro do ralo, para que não ocorra de cair a peça para dentro do ralo. Depois, pegue um cotonete com detergente, e enfie dentro da pena, para limpá-la.

Em seguida, pegue a pena (sem a agulha e a tampa traseira), coloque a sua parte aberta na boca, e sopre firmemente. Veja se sai algumas gotas de água no microtubo. Caso contrário, significa que tem ainda tinta dentro deste. Mas se você conseguiu tirar a agulha de lá, certamente que tem um canal aberto. Então, recomendo que deixe a pena em repouso em uma tina com detergente concentrado, por um tempo. Sem a agulha. Depois, repita o processo de limpeza.

Digamos que você conseguiu limpar o microtubo. Coloque a agulha de volta na pena. Mas tome cuidado! Não force nada! Faça o seguinte: Segure a pena com o indicador e o polegar de uma mão, e com o microtubo voltada para baixo, isto é, como se fosse um copo. Em seguida, coloque a agulha dentro dela e na posição correta, mas sem forçar nada. Apenas deixe a peça repousar dentro da pena.

Com o indicador da outra mão, bata lateralmente, levemente e repetidamente nos dedos em que você está segurando a pena, até que a agulha desça no microtubo. Em seguida, coloque de volta a tampa traseira, fechando a peça toda e protegendo a agulha. Mas certifique se a tampa foi de fato colocada, e que não vai soltar.

Agite a pena, de frente para traz, repetidamente, para ver se o pino com a agulha está movimentando livremente dentro dela. Mergulhe a pena na água (para que entre dentro dela), e agite de novo. Então, encoste a ponta da pena em um papel absorvente, para ver se este está recebendo a água desta. Caso sim, coloque a pena de pé, com a tampa traseira encostada no papel absorvente, para tirar o resto da água de dentro dela. Em seguida, coloque-a de volta na caneta, encha a tinta, e agite-a novamente, em um movimento de vai-e-vem, para que a tinta penetre nela. Encoste a ponta da pena no papel absorvente de novo, para ver se está recebendo a tinta. Caso sim, a caneta está pronta para o uso.

Veja os detalhes com as imagens de como recuperar uma caneta técnica a nanquim:

Onde encontrar as canetas antigas na cidade de São Paulo
É possível encontrar as relíquias ou produtos “vintages” aqui, na cidade de São Paulo. Isto se você decidir tornar-se em um caçador de coisas perdidas. No caso das canetas técnicas a nanquim, por exemplo, algumas papelarias ainda mantém o estoque do material, e que foi esquecido porque não teve mais demandas: O pessoal decidiu trabalhar com os AutoCADs da vida. E praticamente os escritórios de engenharia e de arquitetura foram informatizados.

Na Papelaria Rosário, por exemplo, tem um pequeno estoque de canetas, penas e adaptadores, de marcas Rotring, Staedtler Mars Matic 700, Leroy e da Faber Castell TG. O endereço fica na Rua Cel. Xavier de Toledo, 242. Tels.: (11) 3214-3326 e 3256-9675. Mas convém não ligar para lá. É uma questão de ir e comprar as peças. São canetas e penas de várias espessuras, menos os traços 0,3 mm para menos. Pois, o que sobraram foram de 0,4 mm para cima. E muitas canetas de 0,8 a 1,2 mm. A única marca que apresenta traços finos é a Faber Castell. Mas você só encontra as penas. Pelo menos ainda existem as de 0,18 mm. São Poucas.

O problema: Esta marca é a única que não segue o mesmo padrão de outras canetas. Além disso, tem vários tipos de calibres para os compassos. O compasso da Trident, por exemplo, usa o calibre nº 3,5. Então, se você pretende usar as canetas técnicas da Faber Castell TG, teria de comprar um adaptador para ela, uma vez que os de outras marcas não servem, e com calibre 3,5. Parece que ainda encontra esta peça na papelaria.

Mesmo assim, caso pretenda fazer as aquisições, convém comprar desta marca, e não as outras. Explico porque: As penas da Faber Castell são transparentes. Logo, dá para verificar se a agulha que atravessa o microtubo está em bom estado ou não. Isto é importante, porque se ela estiver entortada ou um pouco “amarrotada”, a tinta não flui através do microtubo, e a caneta não desenha. As penas de outras marcas são opacas, e você teria de abri-la para verificar as agulhas. E nenhum vendedor de sã consciência vai permitir que você faça isso.

Além demais, para colocar o pino com a agulha no seu devido lugar, requer uma técnica, e que poucos sabem. Muito menos aqueles que nunca usaram uma caneta técnica a nanquim. Para que tenha uma idéia, tem uma outra papelaria, no Centro Velho de São Paulo, e que vende duas penas da Faber Castell, todas na espessuras 0,2 mm. Imediatamente verifiquei que as agulhas estavam condenadas: Estavam quase que enroladas em volta do pino. Isto porque alguém tirou os pinos, em seguida, recolocou-os na cápsulas das penas, mas forçando-os. Conseqüentemente deformaram as agulhas, que não entraram nos microtubos. Abri as penas na frente do vendedor, para mostrar o ocorrido.

As canetas técnicas a nanquim foram projetadas para desenhos técnicos. Principalmente para substituir os tira-linhas e o uso de penas para escritas técnicas. Porém, rapidamente foram adotadas nas agências de publicidades, estúdios de desenhos etc. Não conheço uma editora ou estúdio que não tenha usado essas canetas.


Tintas para as canetas
Recomendo as da marca Staedtler Mars. Pois é a única que reune as características desejadas: Adequada para as canetas técnicas, uma das melhores, além de ser importada. As outras, como a marca Talens e a Pelikan, mesmo que sejam boas, provavelmente não são adequadas para as canetas a nanquim.

O frasco do meio foi adquirido faz pouco tempo. Percebe-se que ainda fabricam as canetas técnicas da marca Mars Matic 700. A da esquerda foi adquirida em julho de 1995, e com prazo de validade de dois anos (até 1997). Porém, usei-a nas canetas técnicas até pouco tempo, e não deu nenhum problema. Ou seja, a tinta permaneceu em bom estado, sem ter aglutinado! Isto para ter uma idéia da qualidade do produto. O frasco da direita, de fabricação da Faber Castell TG, é a mais antiga aquisição que mantenho. Porém, não arrisco nas canetas técnicas, mesmo supondo que não traria problemas. A da marca Trident é outra opção.


Tintas para ilustrações
Na minha adolescência, antes de me profissionalizar, a opção predileta para colorir era o estojo de lápis de cores. Mais tarde, descobri os pastéis coloridos e a óleo. Mas geralmente são inadequados para o uso comercial, exceto para determinadas ilustrações e áreas. A Ecoline (aquarela líquida) era a preferência nos estúdios. Tanto de quadrinhos como de agências de publicidades. Trata-se de aquarela líquida e de cores intensas. Justamente por isso, supõe-se que a sua durabilidade seja pouca: Vai desvanecendo as cores com o tempo. Além da ecoline, usávamos o guache, quando era preciso cobrir as áreas com cores opacas. Para os “lay-outs” (esboços), eram utilizados os marcadores coloridos (as canetas hidrocores).

Hoje nós temos os marcadores Posca, que são hidrocores, mas com pigmentos mais permanentes e resistentes a água. Tem os modelos que trabalham com solventes. Podem ser utilizados, por exemplo, para pintar em qualquer superfície; até mesmo nas paredes. O problema é que são descartáveis. Nesse caso, tem como alternativa, os marcadores da marca Copic, e que são recarregáveis. Mas se você for tentar montar uma boa paleta de cores (pelo menos oito), vai perceber que o preço é proibitivo.

Além disso, os marcadores Posca ou Copics, juntamente com as “ecolines” e guaches, são materiais volumosos. Isto se você for carregar todas as cores que desejar. Uma boa opção, na minha opinião (e preferência) é o uso de um pequeno estojo de aquarela. O estojo em si saiu por volta de R$ 70,00. E as pastilhas duram bastante. Veja as imagens abaixo:


O estojo vem acompanhado com uma palheta. Vários modelos e marcas de fabricantes trazem também um pincel. Tudo o que você precisa, além do estojo:

  • copo com frasco de água (pode usar o próprio frasco). De preferência de plástico.
  • Papel absorvente ou pano, para limpar e/ou tirar o excesso de tinta ou água do pincel.
  • Mais alguns pincéis da tua preferência (aqui, o ideal são os de pelos de marta mesmo).
  • Prancheta para pintar.
  • Papéis especiais.

Os fabricantes:

  • Winsor & Newton (inglesa) - Tem a linha artística, e a mais popular: Cotman (estojo acima). Mas a linha artística tem o mesmo tipo de estojo. Na verdade, o fabricante é especializado em tintas, e não em estojos.
  • Talens (holandesa) - Fabrica Ecolines, além de guaches e tinta a nanquim. No caso de aquarelas, Van Goh é a sua linha popular. E a linha artística (profissional) é a Rembrandt.
  • Schmincke (alemã)
  • Rowney (inglesa)
  • Pebeo
  • Outras marcas...

Evidentemente que o resultado obtido não é o mesmo de uma “ecoline”, que apresenta cores mais intensas; e nem de um trabalho feito com as canetas Posca e Copics. Se bem que esses dois últimos podem ser superados pela aquarela. Tudo depende da tua opção e estilo adotado.

Importante: Não use as aquarelas escolares. Não é a mesma coisa. E os pigmentos provavelmente tem areia misturada (abrasivo), o que farão com que o pincel se desgaste mais.


Guaches
Não pode faltar. Pois, as tintas são opacas, e servem para vários serviços em que a transparência é indesejada. Aqui no Brasil, a marca Talens foi a mais utilizada nos estúdios e agências de publicidades. Da mesma forma, a ecoline, do mesmo fabricante. Tinha os concorrentes nacionais. Mas todas eles fecharam com o tempo. Apareceu, no entanto, uma marca nacional, e que é motivo de orgulho: A TGA Tintas.

A TGA Tintas
Eu só descobri este fabricante nacional quando fiquei procurando guache branco e que seja de fato opaco. Eu usava o guache para corrigir os desenhos feitos a nanquim. Isto era muito utilizado numa época em que não existia o computador disponível. Acontece que as guaches vendidas atualmente na praça são todas translúcidas: Seus pigmentos supostamente são constituido de óxido de zinco. E não serviam. O guache que seja opaco tem na sua composição, o dióxido de titânio. A Talens tem dois tipo de guache branco, sendo que um deles é justamente o que eu procurava. Só que não estava especificado no produto que vende aqui no Brasil. Ao passo que o TGA Tintas deixou claro a composição das cores no seu site... http://www.tgatintas.com.br.


Os papéis
Eles são fundamentais para o desenhista. Existem variados tipos, de acordo com as técnicas empregadas. Para desenhos a nanquim, e utilizados em quadrinhos, o melhor que encontrei foi o Shoeller do tipo liso. Ele é branco e tem aspecto de cartolina, mas não amarela com o tempo. Pois, é feito de fibra de algodão, e sem ácido. Os traços feitos a nanquim podem ser raspados com uma lâmina de barbear, para efetuar as correções. Também pode ser molhado com um pano úmido, e ao secar, mantém o mesmo aspecto. Foi o primeiro papel de qualidade que trabalhei, e nunca vou esquecer. Mas vai ver o preço de uma folha dessa. Como está inacessível para simples mortais, e principalmente para desenhistas iniciantes. Eis as opções interessantes:

  • Linha Escolar Cansonino - Vem em bloco de 20 folhas de 140 g/m2 no formato A4 (29,7 x 212 cm), e ligeiramente amarelado. Tem pH neutro (sem acidez). Ideal para desenho a lápis e carvão (pois, é um pouco rugoso). Mas aceita também o nanquim e até pinturas.
  • Canson Layout para desenho - Bloco de 20 folhas a 180 g/m2 no formato A4. Branco e liso. Ideal para traços a nanquim.
  • Canson para aquarela, acrílico e pastel Bloco de 12 folhas a 300 g/m2 no formato A4. Bem rugoso num lado, e menos no outro. Tom amarelado.
  • Vegetal liso (da marca Spiral) - Bloco de 50 folhas a 70/75 g/m2. Muito utilizado em desenhos técnicos a nanquim. Mas no nosso caso, serve para transferir desenhos, uma vez que dá para ver os traços por baixo da folha, devido a translucidez. A meu ver, é um material que não pode faltar na prancheta do desenhista.
  • Papel Report Multiuso (conhecido como “sulfite”) - Pacote de 500 folhas, no formato A4 (ou carta) a 90 g/m2 (se possível), ou 75 g/m2 (caso não). Evite a da marca Chamex (e o Chamequinho), pois, são ruins. Geralmente utilizado nas impressoras e nas fotocópias. Mas no nosso caso, é para rascunho mesmo.
  • Papel Kraft - Aquele de cor parda, para embrulhos. Portanto, geralmente disponível de graça (desde que você compre o produto embrulhado com ele). Adquira algumas folhas grandes em uma papelaria especializada. É excelente para esboços a carvão e sangüínea (mais tarde explico o que é isto), além de outros usos bastante interessantes (idem).


Prancheta para desenho e seus acessórios
Certamente que na maioria dos casos, você pode virar-se com uma daquelas pranchetas para segurar os papéis do tipo ofício ou A4 (21 x 29,7 cm), e que vende-se em qualquer papelaria por aí. Eu fiz isso durante muito tempo, antes de adquirir a minha primeira prancheta. Esta sim, é a ferramenta adequada e que ocupa espaço. Se for adquiri-la, deve vir acompanhada com uma boa luminária. E de preferência, com uma régua paralela. Ela será necessária. Mesmo que você não tenha a intenção de fazer desenhos técnicos, a régua paralela é muito útil para, por exemplo, desenhar os quadrinhos em uma folha A2 para diante.

Aliás, não teria sentido em adquirir os esquadros, curvas, gabaritos, e principalmente réguas de mais de 60 cm, se não tiver uma prancheta decente. Seria muito doido trabalhar em uma mesa da sala, cozinha ou do teu quarto. Mesmo que você tenha a intenção de fazer desenhos e artes digitais, caso pretenda mexer com os materiais citados acima, convém ter uma prancheta. Existem modelos híbridos, e que trabalham juntamente com o computador, scanner, impressora etc. Vale a pena pesquisar.

A tábua da prancheta deverá ter, pelo menos, 1 metro de largura e 0,8 metro de altura. Dê a preferência pelo modelo em que seja fácil alterar o ângulo da tábua. Com uma largura de 1 metro e a régua paralela, torna-se muito útil para desenhar as perspectivas, que são muito importantes nos desenhos. E deve vir com um banquinho ou assento. Preferencialmente estofado e confortável, pois, este é o mobiliário muito importante. Porque é aonde você vai sentar. E se não adequar-se a ele, com certeza vai te trazer muitos problemas, comprometendo a produção.

A prancheta deve estar corretamente posicionada: Próxima da janela, bem iluminada, de modo que a luz venha de esquerda para direita, e de cima para baixo, caso você seja destro. Se for canhoto, de direita para esquerda. A finalidade é a de evitar as sombras, e que possam prejudicar o trabalho. A luminária deve apresentar uma iluminação ampla sobre a prancheta, na cor branca (luz de dia), e igualmente sem deixar sombras.


Móvel auxiliar com rodígios... Ou uma maleta especial
No primeiro caso, trata-se de um tipo de criado-mudo com duas ou três gavetas, e uma bandeja na parte superior. Serve para colocar todos os materiais de desenhos nas gavetas, e as tintas e pincéis na bandeja. Tem de vários modelos e materiais. Mas você pode improvisar.

Existem pranchetas com compartimentos para colocar os materiais. Mas não é lá prático: Você precisa dispor dos materiais na mão, e não convém colocá-los em cima da prancheta. Principalmente se este estiver com a superfície inclinada.

No segundo caso, pode ser um tipo de bolsa, aonde você guarda todo o material que precisa. Isto depende do tipo de trabalho que você está desenvolvendo. Se for um sketchista por exemplo, uma bolsa aonde possa caber os teus materiais provavelmente é mais do que suficiente. Provavelmente você vai desenvolver os teus trabalhos em cima de um sketchbook (caderno de desenho e de esboço); ou em uma prancheta de mão.


Mesa de luz
É uma ferramenta muito útil para o desenhista. Consiste em uma caixa com uma lâmpada dentro, e que tem uma tampa de vidro ou de acrílico. Serve para copiar os desenhos de um papel para o outro. Antigamente era muito utilizado para fazer os desenhos animados. E era vendido em lojas de materiais fotográficos: Era utilizada por diversas agências de publicidades, editoras e estúdios para ver os slides ou cromos (fotografias em transparência).

Como é difícil de encontrar essa ferramenta por aí, você tem as seguintes possibilidades ou improvisações:

  • Construa você mesmo uma mesa de luz, com madeira. Pode ser um caixote de frutas, e uma placa de vidro por cima. Mas não esqueça de dar acabamento nas bordas do vidro, para não se cortar.
  • Use uma caixa plástica transparente (ou translúcida), e de tamanho razoável, e instale uma lâmpada dentro dela.
  • Use uma prancheta de mão, mas feita com acrílico transparente (de preferência sem cor). E uma luminária leve. Apoie a prancheta entre as coxas das pernas, e a luminária por baixo. Ou, apoie-a em algum lugar, com a luminária por detrás.
  • Use o vidro de uma janela. Mas prenda os papéis nela com adesivos, para evitar que se soltem. Cuidado para não quebrar o vidro!
  • Adquira uma placa de acrílico, ou de material transparente (menos o vidro), para colocar em frente da luminária da prancheta.
  • Outras alternativas, de acordo com a tua criatividade...



Outros acessórios

Cada desenhista tem as ferramentas diferenciadas, de acordo com as suas necessidades. E algumas são adaptações. No meu caso, as minhas estão abaixo:

Mata-gato (60)
É uma peça muito útil para o desenhista. Consiste em uma lâmina fina de aço, e que serve como máscara, na hora de apagar certos trechos do desenho. Isto para que você não apague as demais áreas, uma vez que a borracha não é tão seletiva assim, por mais hábil que seja com a mão. Basta colocar a área vazada no trecho em que pretenda apagar, e passar a borracha por cima. Evidentemente que não é lá muito prático com o limpa-tipo.

Guache branco (67)
Serve para corrigir desenhos a nanquim. Aqui, coloquei o guache da marca TGA, que vem em bisnaga, em um estojo para filme. É importante que tenha na sua composição o dióxido de titânio, e não o óxido de zinco. Pois, é necessário que seja o mais opaco possível. Mas existem outras maneiras de corrigir os traços.

Geralmente uso o cotonete (61) para limpar as peças das canetas técnica a nanquim. E a pinça (62) para pegar as penas de aço, e que guardo em um estojo plástico. A fita crepe (64) é muito útil para fixar o papel na prancheta. Principalmente nas pinturas a aquarelas. Optei por um rolo de 5 cm de largura. Tem também os outros recursos (63, 65 e 66) para fixar os papéis.

A escova de dente (59) é bastante versátil: Serve para tirar as crostas de tinta nanquim das penas de canetas técnicas. Como também para limpeza de outras penas e pequenas peças para o desenho. O outro uso dele é para pintura, seja em aquarela como em guache ou nanquim.

Rolo de papel absorvente e também de papel higiênico (macio): São importantes. O papel absorvente é utilizado nas pinturas aquarelas, para controlar a tinta ou a água dos pincéis; e até para absorver excesso de tinta ou água no papel. E o papel higiênico é adequado para limpar as penas a nanquim com o álcool. E também para verificar as ponteiras das canetas técnicas.

Cola branca e tipo bastão não deve faltar no teu arsenal. O primeiro é a cola PVA, e de uso geral. E o segundo, é para certos tipos de trabalhos. Como, por exemplo, na confecção de suportes para trabalhos a nanquim. Trata-se de uma técnica, e que permite efetuar várias alterações ou correções no trabalho. Mais adiante será detalhado como é feito.

O álcool e o detergente (do tipo para lavar os pratos e talheres): Servem para limpezas. O álcool é, a meu ver, o mais adequado para limpar as tradicionais penas de aço a nanquim: Você retira o resto de tinta com o papel higiênico. Em seguida, embebe um pedaço deste como álcool e limpa as penas.

IMPORTANTE: Não use o álcool para limpar as penas das canetas técnicas. Nem mesmo esse tipo de canetas. Também não o use para limpar os esquadros, réguas e gabaritos. Pois, no primeiro caso, pode danificar as penas das canetas. E no segundo, pode tirar o brilho das peças de acrílico, e atacar os plásticos dos gabaritos; possivelmente dissolvendo-os!

Para esses casos, use o detergente, que é neutro e mais eficaz.

Bisnaga de água (aquele usado para ketchup, mas branco ou translúcido, e com bico comprido) - Serve para molhar as tintas. Mais prático do que andar com um copo ou garrafa de água por aí.

“Caixa de ferramentas” ou bandeja especial - Trata-se de uma peça de aproximadamente 30 cm de comprimento por 10 cm de largura, e uma altura de 10 cm. Serve para colocar os teus materiais de uso constante: Os lápis, canetas, estiletes, tesouras, esquadros etc. É apenas uma sugestão. Você pode usar uma bandeja com divisórias; uma pasta especial, um estojo etc. Vai depender das dificuldades encontradas por você, e da tua criatividade. Esta caixa é colocada no móvel auxiliar com rodígios, ou até em cima da prancheta (não recomendável).



O teu ambiente de trabalho

Sempre que possível, é bom ter um espaço só teu, para desenvolver os trabalhos, e aonde possa sentir-se livre para criar. Caso não disponha de um aposento específico para isso, pode ser no teu quarto mesmo. Isto se ele for todo teu. Do contrário, deverá negociar o espaço com a pessoa que convive com você.

A iluminação
Mesmo que tenha amplas janelas iluminadas, é preciso dispor de lâmpadas, e que possam manter o ambiente bem iluminado. As paredes devem ser preferencialmente de cores claras, ou de tons pastéis.

Materiais de referências
Todo bom desenhista precisa ter bons materiais de referências. Pois, ninguém cria nada do nada. E essas referências são os modelos. Podem ser fotografias, impressos ou outros desenhos. Nesse caso, você precisa ter um arquivo, preferencialmente do tipo pasta suspensa. Nele, você coloca as pastas temáticas: Carros, aviões, personagens (de quadrinhos) etc.

Importante: Vários modelos anatômicos. Principalmente humanos: Jovens, velhos, crianças, homens, mulheres, e em várias posições. Preferencialmente os nus. Mas não precisa exagerar entrando em taxonomias. Afinal, você é um desenhista, e não um médico legista. O importante aí é a proporção das partes do corpo, suas variadas posições e diferenças. E principalmente a posição dos músculos, para não fazer a besteira de colocar volumes aonde não deva.

As mãos, os pés e as expressões faciais...
Acredite, muitos desenhistas sofrem com os desenhos das mãos. Estas são as partes mais problemáticas. A saída é pegar os modelos nas fotos impressas em revistas e jornais. Tanto as mãos, os pés como as expressões faciais, você pode fazer desenhos rápidos nos cadernos de esboços (os sketchbooks), para capturar as idéias.

Anatomias de animais
Pelo menos os conhecidos. Os cavalos, por exemplo, são problemáticos, para quem que nunca desenhou esses animais. Principalmente na parte dos membros. Cães, gatos, coelhos, galinhas etc., são referências importantes.

Outras referências:
Brilho de metais, cristais, vidros, reflexos, respingos de água etc. Assim como também as texturas, sombras e tudo o que possa ser útil como modelos. Você pode fazer recortes de revistas, aonde apresentam essas referências.

Biblioteca pessoal
Dicionários são importantes, assim como também materiais de consultas para redizir bem. Principalmente para quem que pretenda mexer com quadrinhos ou personagens. Mesmo até para ilustradores de livros. Importante: Seria ideal que tenha uma enciclopédia para consulta constante. Não se trata de acessar a Wikipédia na Internet. Tem momentos em que você não vai querer ficar acessando a Rede. Ou talvez não possa. Mesmo com um smartphone. Sempre é bom ter esse material com você. Mas isto é o meu ponto de vista, viu?

Ainda que você faça tiras, charges ou quadrinhos, e que apresentem frases do tipo “nóis vai”, é preciso saber aonde errar deliberadamente... Isso sem contar os erros involuntários.

Outros materiais para a tua biblioteca pessoal: Livros voltados à tua área de interesse e de trabalho. Não somente aqueles que tratam de técnicas, mas também de assuntos afins. Se você se interessa em quadrinhos, então, convém ter vários deles no teu acervo.

Catálogos de produtos - Eles são fundamentais para consultas constantes. Convém manter esses catálogos. Mesmo de materiais que já sairam fora do mercado. Pois, você pode deparar com eles em uma feira de antiguidades ou lojas de usados, e não ter nenhuma referência para consulta.

Painéis e mostruários
Você precisa avaliar os teus trabalhos, e até senti-los. Poderia colá-los nas paredes com fitas adesivas. Mas não pega bem: Falta profissionalismo e é feio. O ideal, então, é dispor de painéis enormes. Podem ser quadros de isopor ou de cortiça. Podem ser painéis imantados; ou chapas plásticas, aonde você prende com fitas etiquetas adesivas, e que sejam mais apresentáveis.

Quando bem confeccionado, o teu ambiente pode alçar a categoria de uma galeria de artes ou espaço museológico. Afinal, os teus trabalhos podem ser considerados como obras de artes. E quem sabe, eles não atinjam cotações no mercado de artes. Mesmo que não tenha essa pretensão, você pode convidar os teus amigos a apreciar os teus trabalhos ou avaliá-los.

Som ambiente...
Isto é importante. Você precisa de um clima para trabalhar. Isto é, de um meio para facilitar a inspiração. Faça uma seleção de suas músicas prediletas, dividindo-as em categorias. Por exemplo: Para momentos felizes, tristes, tenebrosos etc. O ideal é que coloque-as em um volume que não te atrapalhe, e sim, que te inspire.



Como expor os teus trabalhos sem se “queimar”

É relativamente fácil mostrar os teus trabalhos para os amigos. Principalmente se estes sejam também aspirantes a desenhista ou ilustradores. Porém, dependendo dos casos, as avaliações podem ser comprometidas. E você ficará preso a referências não confiáveis. Eis algumas dicas:

  • Seja cruel com você mesmo: Vi trabalhos de desenhistass nos sites como o Flicks ou o DevianArts, e que simplesmente “queimaram” os pobres coitados. Pois, as vezes aquele trabalho que ele acha que é bonito, maravilhoso etc., na verdade mostra o seu lado “dark” para os outros... Se você tem alguma dúvida acerca de um trabalho teu, se deve expô-lo ou não, de imediato retire do teu portfolio. Afinal, você não está destruindo-o, apenas retirando-o até o momento de ter a certeza se deve expô-lo ou não. Antes, procure uma boa avaliação de terceiros. Essa idéia não é minha, e sim do fotógrafo Pedro Vasquez, no seu livro Como fazer fotografia (que na verdade é tudo menos como fazer fotografia. E sim, dicas valiosas para aspirantes ao fotógrafo). Não deixa de ser uma sugestão valiosa.
    ...Mas eu já expus os meus trabalhos. E agora?
    • Tudo bem, mude-os constantemente pelos mais recentes.
    • Deixe claro que são na verdade “fases” das tuas criações e/ou desenvolvimentos. Pois, como um bom artista, você está em fases de evolução.
  • Os teus amigos até podem servir de referências em termos de gostos e tendências do pessoal da tua geração. Porém, a realidade do mercado é outra. Dessa forma, você precisa de uma avaliação mais séria. Como, por exemplo, de um...
  • Profissional da tua área, mas que seja já estabelecido (de preferência, mais velho que você) e que não teria nada a perder em te ajudar. E nem sentiria ameaçado por uma possível concorrência. Isto significa que não convém ir atrás de um profissional que esteja a procura de emprego ou de trabalho. Mesmo sendo mais velho ou experiente que você.
  • Os falsos elogios - Você não sabe se as reações das pessoas são de fato sinceras ou não. E muitas vezes elas mesmas também não sabem. Principalmene quando levadas pela amizades ou primeiras emoções. Talvez seja mais seguro contar com as observações atentas das suas reações. Elas falam mais do que suas palavras.
  • Trabalhe para você mesmo, no sentido de autoedificação pessoal. E deixe isso claro para os outros. Porque de uma forma ou de outra as nossas ações criam reflexos e influenciam o que está em volta. Consequentemente, além da divulgação ser eficaz, você estará mostrando sério e comprometido consigo mesmo e com os outros. Logo o diálogo com seus possíveis clientes (e admiradores) tornará mais fácil e transparente, podendo ver as reações acerca dos teus trabalhos. Você percebe pelos reflexos as avaliações positivas ou negativas. Não precisa pedir a sugestão, ou fazer publicidades ostentivas.
  • Crie projetos consistentes e originais - Eles devem vir com objetivos e as metas para atingi-los, e através dos teus trabalhos. Muitas ilustrações que vi, principalmente de super heróis, não passam de repetições do que se divulgam nas mídias. O que pode dar a impressão errada de que o desenhista ou ilustrador não tem idéias ou originalidade. Ou que fazem esses desenhos simplesmente por fazer. Mas com os trabalhos em projetos você estará dando um grande passo na tua própria evolução. E que reflete na tua própria percepção do teu trabalho, e nas curiosidades, observações e comentários de terceiros.
  • Não ofereça os teus trabalhos de graça. Nem mesmo sob o pretexto de que estarão divulgando-os. Tudo mentira. Você está usando a Internet, portanto, os teus trabalhos já estão sendo divulgados. E pagando por eles, significa que os trabalhos foram aceitos (portanto são apreciados). Mas se você for oferecê-los de graça, então, eles na verdade não valem. Mesmo que sejam para ilustrar algum artigo de grande divulgação.



Onde encontrar as canetas técnicas

Na internet existem vários sites que ainda vendem as canetas técnicas a nanquim, e que não sejam descartáveis. Se for comprá-las, tome o cuidado com o imposto de importação e outros possíveis detalhes.

Cult Pens
http://www.cultpens.com
Tem as ponteiras para as canetas da marca Faber Castell:
http://www.cultpens.com/acatalog/Faber-Castell-TG1-S-Replacement-Nibs.html

Studioartshop.co.uk
http://www.studioartshop.com/acatalog/Pens_and_Writing.html
Have nibs for technical pens.

Tiber Pens
http://www.tigerpens.co.uk
Entre as canetas tinteiros, encontram-se as técnicas. Por exemplo, as ponteiras para as Staedtler Mars Matic:
http://www.tigerpens.co.uk/acatalog/Staedtler_Mars_matic_700_Technical_Pen.html

Tem um outro site, mas que não é lá muito confiável. Percebe-se pelo acabamento da página e na falta de indicação da empresa que vende o produto:

Koh-I-Noor® Rapidograph®, Technical Pens, Sets and Point Nibs
http://www.westnc.com/rapidograph.html



Os sites interessantes:

NOTA: A lista apresentada abaixo é apenas uma seleção, e condizente com o artigo desta página. Eventuais itens serão acrescentados e outros retirados. Novas páginas, com listas de sites voltados aos assuntos específicos deverão ser criadas.

Desenhistas Autodidatas
http://desenhistasautodidatas.blogspot.com/
Excelente blog para os interessados em aprender a arte do desenho por conta própria. Várias informações úteis. Além disso, apresenta um link específico, para baixar os arquivos voltados para o desenho da anatomia humana:
http://desenhistasautodidatas.blogspot.com/2009/08/
anatomia-humana-para-desenhistas.html

DesenhoOnline.com
http://www.desenhoonline.com/
Várias informações valiosas e cursos, para desenhistas iniciantes (e não iniciantes). Têm as partes que são pagas.

Figure Drawings and Portraits
http://www.figuredrawings.com/
Várias referências para quem que pretenda desenvolver os desenhos anatômicos. Apenas não encontrei diretamente as referências para as mãos. E o site remete mais para os livros que tratam do assunto “anatomia” (21/mai/2012).

Leonardo da Vinci
http://quemeopintor.blogspot.com.br/2010/12/leonardo-da-vinci.html
Uma descrição biográfica dos feitos do famoso pintor do Renascimento. Vale a pena lê-la.

Noções gerais do desenho técnico
https://wiki.ifsc.edu.br/mediawiki/images/0/0d/
ARU_TMC_PBA_Apostila_Parte_A.pdf

A meu ver, todo desenhista e ilustrador deve ter também as noções do desenho técnico. Pois, geralmente esse tipo de conhecimento complementa, e muito, aquele existente nas áreas artísticas. Eu mesmo trabalhei em ambas as áreas, mesmo não sendo um arquiteto, engenheiro civil ou eletrotécnico, ou até sequer formado em topografia. Trabalhei nessas áreas. A apostila constitui-se de 53 páginas ilustradas, e está em .PDF (arquivo do tipo Acrobat). Além disso... É de graça.

Pixel Ovely
http://www.pixelovely.com/gesture/figuredrawing.php
Apresenta uma simulação de nus artísticos ao vivo, para treinamento em desenhos rápidos. Foi indicado pelo blog Desenhistas Autodidatas (acima). A técnica consiste na apresentação de imagens como transição de slides, do tipo Power Point. Você determina o tempo da transição em segundos. E tenta esboçar os desenhos. Mas não experimentei para saber se essa transição é aleatória ou não.

Vice Beta
http://www.vice.com/read/figures-600-v17n11
Várias posições da figura feminina (21/mai/2012).



Estudos das mãos:

A parte mais difícil para um desenhista ilustrador, a meu ver, não é o rosto ou a anatomia em geral do corpo humano, e sim, o desenho das mãos. Logo, resolvi apresentar abaixo, uma pequena lista de referências. Além disso, como é um problema em que estou também encarando, eventualmente pretendo postar os meus exercícios sobre as mãos.

Como desenhar mãos técnica tutorial...
http://comofazerdicas.com.br/desenho-e-pintura/como-desenhar-
maos-tecnica-tutorial-passo-a-passo-exemplos-dicas/

Dicas interessantes para quem que está começando (21/mai/2012).

Sala de estudos de anatomia - Mãos
http://desenholatras.forumbrasil.net/
t43-sala-de-estudos-de-anatomia-maos

Várias posições das mãos, desde os de desenhos infantis e quadrinhos, até os reais e “naturais” (21/mai/2012).

3D.SK Human photo references...
http://www.3d.sk/
Apresenta várias referências e posições dos corpos e seus detalhes, sejam eles nus ou não. Mas no tocante às mãos, é uma tristeza: Das mais de 600 posições, todas não passam de repetições. Você não encontra, por exemplo, as mãos segurando os objetos em diversas posições. Mas não deixa de ser uma referência para pesquisa, ainda que muito pobre (21/mai/2012).

Sugestões de como conseguir os modelos de mãos
Você pode adquirir esses modelos das seguintes maneiras:

  • Através de mecanismos de buscas (buscadores), como o Google ou o Yahoo!, mas na opção de busca por imagens, e não de sites. Com isso, serão mostradas as miniaturas de imagens encontradas.
  • Através de histórias em quadrinhos, de preferência do tipo Conan o Bárbaro, ou o Tex.
  • No sketchbook mesmo: Você “captura” os modelos no dia-a-dia. Mas as opções normalmente serão na maioria de mãos em repousos.
  • Criando os modelos através de uma máquina fotográfica digital: Fotografe a tua mão em diversas posições e/ou segurando os objetos. Para isso, use um espelho, se for preciso. Em seguida, você pode repassá-los para desenhos.

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