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Dicas valiosas para desenhistas iniciantes 02
Almada, 30 de Março de 2021, Terça-feira.
Atualizado em 1º de Abril de 2021, Quinta-feira.

Seja bem-vindo à série Dicas valiosas para desenhistas iniciantes!

A primeira etapa desses artigos foi escrita em 2012, e com certas propostas. No entanto, com o passar do tempo, houve uma série de mudanças nos meus projetos, e que deixaram inclusive meio parado a manutenção do site Zadoque.com. Mas com o amadurecimento de novas idéias, chegou a hora de concretizá-las.

Esta série agora faz parte de um projeto mais amplo, cuja finalidade é de adaptação e de transformação, frente ao cenário atual de crises no mundo todo.


Antes de mais nada: O desenhista, assim como o artista plástico, trabalha com o supéfluo

Sei que muita gente não gosta dessa afirmação, porque não considera a Arte como um supérfluo. Mas a verdade é que ela, apesar de ser muito importante, não é considerada necessária. Basta fazer a seguinte reflexão: Diante de uma obra de arte, qual você escolheria: Compraria a comida necessária para o dia-a-dia, pagaria a escola do teu filho (ou filha... caso tivesse), a conta de luz (água, telefone etc.), ou aquele quadro de pintura, que você viu e que foi um amor à primeira vista?

Comercialmente a Arte é interessante nos países do Primeiro Mundo, aonde a renda per capita é alta. Do contrário, as pessoas têm outras prioridades, estas que atropelam quaisquer pretensões de um desenhista ou artista. Além disso, a Arte pode servir como um investimento, um ativo financeiro. Principalmente se o artista tiver uma brilhante carreira e depois falecer... Creio que este não é o nosso caso desejável. Então, só resta duas possibilidades perfeitamente válidas: Desenvolver você mesmo os meios de viver disso; ou então, fazer a Arte como um hobby. Contudo, a primeira opção, a meu ver, é a mais interessante, apesar de muito difícil de realizar-se, e provavelmente muitos vão tentar realizar esse sonho.


Preparação de um desenhista para o dia-a-dia

No artigo anterior falei da importância de andar com o teu sketchbook (bloquinho de desenho), juntamente com os materiais necessários. Para lembrar: Sketchbook vem de sketches, palavra em inglês, e que significa esboços em português. Aqui apresento as possibilidades a serem adotadas por você. Se for olhar na Internet, descobrirá várias idéias. Basta pesquisar no Pinterest, com as palavras sketchbook, “sketchbook journal” sketches etc. Mas tudo depende do tipo de desenho a que você pretende exercer, do teu estilo, e os materiais adotados para tais. Você pode usar uma das idéias sugeridas na Internet (ou em outro lugar). Ou criar você mesma, de acordo com as tuas exigências. Este foi o meu caso, que não me satifez mais com o que foi apresentado. Inicialmente criei o meu sketchbook a partir de fichas de anotações do tipo 3x5 polegadas (usado nas bibliotecas) ou 4x6... (10 x 15 cm) Para tanto, é preciso criar um meio de transportar essas fichas. Nada melhor do que confeccioná-lo com cartões, papéis e fita adesivas:




As vantagens são evidentes: São leves e fáceis de transportá-las. Podem ser facilmente seguradas com uma mão, e a outra para desenhar, sem precisar manter as folhas abertas. Isto porque não se trata de um livro ou de um caderno, e sim de fichas amontoadas. E podem ser guardadas em fichários. Nesse caso, improvisei com caixas de sorvetes:

...E você pode agrupar diferentes tipos de papéis, e para diversas técnicas artísticas a serem aplicadas neles.

Mas a desvantagem é que dá para transportar apenas poucas fichas (ou pranchas) para desenhar. E que é meio complicado de acessar as outras no segundo plano. Você teria de retirar o bloco inteiro desse sketchbook para fazer isso. Folheá-las é impossível. Mas no fichário (improvisado) fica extremamente fácil de “folhear” essas pranchas. Podendo inclusive criar roteiros ou histórias em diversas combinações. Esta é a grande vantagem, a meu ver.


Como montar esse tipo de sketchbook
Os materiais são os mais simples e acessíveis: Papelões de embalagens, fita adesiva de 5mm de largura (preferencialmente a cor castanha), cola (opte pelas fitas adesivas dupla-face para facilitar), estilete de corte, base para corte (pode ser uma placa de vidro) e uma tesoura (opcional).

O sketchbook aberto pode ter duas ou três faces (1). O ideal, a meu ver, é que seja de três faces, porque aí você pode proteger a face com a prancha a desenhar e que esteja encostada na tua mão, com uma outra face. Nesse caso, você deve confeccionar três retângulos de papelão, para cada face, mas com alguns milímetros a mais do tamanho dos papéis a serem guardados neles (2). A distância entre os retângulos deve ser de acordo com a quantidade de papéis que se pretende carregar. Logo, entre o primeiro e o segundo retângulo, deve permitir guardar o volume que fica guardado nos dois. Mas entre o segundo e o terceiro, deve ser o volume de todos. Convém considerar as espessuras dos papelões, somadas às colas e fitas adesivas. Cole os retângulos com as fitas adesivas.

“Impermeabilize” o conjunto todo, colando a fita adesiva. Evidentemente você pode encapá-lo com corvim sintético ou outros materiais impermeáveis. Nesse caso, você não usa a fita adesiva. Nem mesmo para fixar as três peças citadas acima. O uso da fita adesiva é apenas uma forma mais prática e preguiçosa de fazer as coisas.

Em seguida, deve confeccionar as tiras de papéis, para segurarem os respectivos blocos de desenhos. Elas devem ter pelo menos 1,5 cm de largura, e servem como cantoneiras. Devem ser bastante resistentes. Para isso, cole uma fita adesiva em cima de uma folha, e corte as respectivas tiras. No total são 6, e devem ter cada, pelo menos 5 cm de comprimento ou mais (3). Em seguida, elas devem ser dobradas em 45º (4). O próximo passo é preparar essas fitas e montá-las nas devidas pranchas. Para isso, pegue a quantidade adequada de fichas, e que pretende segurar em cada prancha, posicione as fitas (que sâo duas), e faça as devidas dobraduras (5, 6, 7 e 8).

O conjunto todo deve estar montado em cada retângulo (9) e protegido por um cartão, mais consistente, e no mesmo tamanho do bloco de desenho (10). A melhor maneira de fazer isso, é de colocar juntamente com o bloco, esse cartão, e já com os adesivos dupla-faces previamente fixadas nele, justamente para colar as fitas cantoneiras. Detalhe: Fixe as cantoneiras sempre no canto superior direito, se você pretende usar as fichas ou pranchas para anotações. Principalmente a partir do topo.


Organizador do tipo filofax como sketchbook

Você pode não gostar da opção apresentada acima. Principalmente se tiver em mente a necessidade de criar os roteiros (storyboards) de uma história em quadrinhos (banda desenhada) ou games por exemplo. E ter de andar sempre com eles aonde for. Nesse caso, não é nada prático andar com um fichário (já citado). Principalmente pelo fato das fichas ou pranchas estarem soltas. E que poderiam perder-se por aí. Trabalhar com um bloco de desenho ou um moleskine é impensável, uma vez que as folhas ficam presas em blocos, o que dificulta bastante quaisquer correções ou simples alterações a serem feitas nos seus conteúdos. E não são adequados para aplicar pinturas (aquarelas), bicos-de-penas, técnicas mistas, ou simplesmente desenhos mesmo. A minha sugestão é usar um organizador do tipo filofax, aonde você agrupa as folhas da maneira que quizer:

As vantagens é que você pode organizar seqüencialmente teus desenhos, para criar tuas histórias. Além disso, você pode agrupar diferentes tipos de papéis para desenhos e pinturas. E depois, reagrupar os teus trabalhos feitos na seqüência desejada, e com papéis diferentes, de acordo com as técnicas aplicadas em cada um deles. E se achar que carregar um organizador desses é volumoso e pesado, pode adotar a idéia inicial de como carregar os sketches em fichas. Basta fazer no formato adequado. Em seguida, após os teus ensaios, agrupá-os no organizador.


Mas... como perfurar adequadamente as folhas?

Não precisa de equipamentos caros ou sofisticados. Basta um simples perfurador de papéis, mas usado de maneira pouco usual:








O uso de um simples e convencional prancheta de mão

Contudo, talvez a melhor opção mesmo é comprar uma pequena prancheta de desenho, ou do tipo acompanhado de uma capa. De preferência que caiba folhas no formato A5. Pois assim, você não precisa cortá-las. Basta comprar variados tipos de blocos de papéis nesse formato, e que estão disponíveis no comércio.

Caso não encontre esse formato, trabalhe com folhas no formato A4 (210 x 297 mm). As vantagens são evidentes: Artes feitas nesse formato são mais bem aceitas do que nos formatos menores. Pois, podem ser emolduradas em quadros, e penduradas nas paredes. Ao passo que em formatos menores, provavelmente não teriam boas visualizações na decoração de uma casa. É bom pensar de que a boa aceitação dos teus trabalhos dependem em muito da percepção e apreciação dos teus clientes, e que muitas vezes (ou absolutamente) têm uma visão diferente a da tua. Quanto maior for o tamanho da tua arte, mais chance terá de ser aceito no mercado de artes. Quadros de 2 a 1 metros têm um peso decisivo para suas adoções. Porém, você vai deparar com o espaço necessário em armazenar os teus trabalhos.

A outra vantagem do formato A4 está no fato de poder ser guardado facilmente em arquivos de pastas suspensas. Estes que se encontram facilmente em lojas de mobílias para escritórios. Mas a desvantagem, a meu ver, é que perde um pouco a expontaneidade ao trabalhar nesse formato para fazer os teus sketches, do que no formato menor ou igual ao A5.

Bom... A escolha é pessoal, e nada melhor do que experimentar vários formatos e tipos de sketchbooks, para decidir qual você se adapta para os teus ensaios de dia-a-dia. Além disso, existem n soluções para os problemas apresentados acima. Basta a criatividade.


Monte o teu banco de imagens

Muitos desenhistas não tem a idéia de como é importante ter um arquivo extenso de imagens para consultas e referências. No começo da minha carreira, o uso do computador pessoal não existia, e a Internet sequer era conhecido. E muitas vezes quando eu precisava de referências (modelos para desenhos), tinha de ir a uma biblioteca pública próxima, a procurar nos livros e revistas essas referências. E na maioria absoluta das vezes (cerca de 95%) não conseguia o meu intento. Pois, na época as enciclopédias e dicionários eram as únicas fontes de assuntos aleatórios, e foram concebidas para transmitir os conhecimentos mais através de textos do que de imagens. Se fosse tentar pesquisar nos livros, além de pesquisas prévias nos fichários das bibliotecas, teria de verificar livro a livro, para ver se tinha(m) a(s) referência(s) desejada(s).

Hoje, com o advento da Internet e a popularização dos dispositivos móveis, tudo tornou-se uma maravilha: Você pode ter tudo o que imagina em termos de imagens. Basta usar os mecanismos de buscas para localizá-las. E eu te garanto que você não completará nem a metade de um cartão de memória de 32 gigabytes, para cobrir todas as imagens de que precisa, para desenvolver os teus trabalhos. Mesmo com dezenas de milhares de fotos e ilustrações, vai sobrar muito espaço no cartão. Nele você coloca tudo o que precisa, dentro das tuas temáticas preferenciais. Inclusive as possíveis referências inomináveis.

Eis algumas sugestões que considero importantes: Figuras humanas, principalmente anatomias, em diversos ângulos e movimentos. As mãos segurando vários tipos de objetos, ou em várias posturas. Expressôes faciais são importantes. Pegue as referências em vídeos, como no Youtube: Capture as imagens dos rostos em diversas posições e gestos, para montar as tuas “personagens”. Copie também as paisagens, estruturas, texturas, jogos de luzes e sombras, detalhes de objetos, maquinários etc., etc., tudo o que der na telha. E como consultar essas imagens? Use um tablet ou celular (telemóvel):


A idéia não é minha: Vi em um vídeo na Internet, em que um jovem rapaz consultava o seu, para criar uns sketches. Carregue-o sempre junto com os teus materiais de desenho e pintura.

Mas tem uns poréns: Infelizmente os brilhos das telas dos tablets e celulares (telemóveis) são ofuscados pelo luz ambiente ao ar livre. Convém que os consultem dentro de ambientes razoavelmente iluminados, mas que não ofusquem o brilho das telas dos tablets, celulares ou de computadores.

Evidentemente que precisa organizar essas imagens em temas principais. E além do uso da Internet, você pode recorrer a uma pequena câmera digital. Nesse caso, dê preferência àquela que tenha recursos macros, para fotos em closeup, com aproximação de centímetros. O que te permite fotografar pequenos insetos, detalhes etc. Uma boa opção é o uso de um celular mesmo. Muitos modelos têm todos esses recursos citados. Mas é bom saber que você estará sendo espionado, uma vez que tais dispositivos tem todos os recursos para fazer isso, e sem que você normalmente perceba. A não ser que faça as devidas observações e investigações devidas.


Monte um E.D.C. voltado para sketches

E.D.C. significa “Every Day Carry”, e é um conceito usado por sobrevivencialistas, e que significa carregar sempre consigo, aquilo que precisa, seja aonde for. Nesse caso um desenhista deve ter o seu. Veja o exemplo de um artista plástico e aquarelista, como o James Gurney que mostra os teus materiais para fazerem as admiráveis aquarelas:


Existem várias opções, de acordo com as tuas excentridades. E você encontra no próprio site da Pinterest as idéias:

No meu caso, decidi trabalhar com um sketchbook para formato A6 (10 x 15 cm, já acitado acima), acompanhado de um lápis ou lapiseira:

Mas quando comecei a carregar o meu primeiro E.D.C., tratava-se apenas de uma bolsa tira-colo, de corvin sintético preto, com um bloquinho de desenho com papel meio vagabundo, no formato A4. Isto foi nos idos anos de 1978 creio eu. E fazia os meus desenhos e qualquer lugar. Principalmente dentro de salas de aulas, quando não apareciam os professores. Mais tarde, trabalhando como desenhista, achei mais prático carregar o meu bloquinho espiral para desenho, no formato A5. Igualmente em papéis meio vagabundo. Mas conseguia expressar bem as minhas idéias e sentimentos. Passei então a desenhar os meus colegas de trabalho, e o cotidiano do dia-a-dia. isto é, quando tinha tempo para isso. Então, eu trabalhava como desenhista... E nas horas vagas desenhava também.

É importante andar com o teu sketchbook nas mãos. Aonde estivesse. A minha mãe dizia que Picasso pintava todas as cafés da manhã (pequeno almoço). Ainda não cheguei a esse ponto. Hoje em dia muitos desenhistas praticam o chamado urban sketches, desenhando os cenários dos locais aonde passavam. No meu caso, achei que não seria mais prático: Você está no meio de uma via pública, a desenhar um cenário que te atraiu... Depois anda um pouco adiante, e faz outro esboço. No final, você perdeu o seu dia desenhando os locais. Aí te pergunto: Você estava lá para isso mesmo? Ou para cumprir algum compromisso de importância? Salvo a tua intenção foi essa mesma: A de fazer as saídas para ensaios.

Porém, achei mais prático carregar uma pequena câmera fotográfica, a capturar as imagens desejadas em diferentes ângulos, detalhes e efeitos luminosos. Não é a mesma coisa, é claro. Uma coisa é esboçar o desenho diretamente ao vivo. A outra, é a partir de uma reprodução. Trata-se de uma forma diferente de captar as realidades. Mas pelo menos você está mais seguro.

Em Portugal você até pode dar o luxo de ficar parado em um determinado lugar público a desenhar. Na cidade de São Paulo, te garanto, na melhor das hipóteses, passado alguns minutos vai aparecer um estranho a te pedir ajuda. E na pior, você será assaltado. Salvo você carregue apenas um sketchbook com um lápis ou lapiseira, a trabalhar de modo rápido. Tal como optei a fazer isso. Mas então para que raios ando só com esses dois materiais?

Tem casos em que não dá para usar uma câmera fotográfica, mesmo que seja um desafio em fazê-la: Você poderia ser flagrado, ao em vez de flagrar o alvo a ser fotografado. É o caso de estar dentro de um coletivo, ônibus (autocarro), comboio (trem) ou barco, diante de um cenário curioso ou até bizarro. Se bem que rarissimamente fui flagrado usando a câmera fotográfica. Pois, já trabalhei como fotojornalista (repórte fotográfico). E nesse caso, tenho uma certa experiência.

Na região de Sta. Ifigênia, próxima da Cracolândia, vi figuras humanas com suas aparências e vestimentas, que deixariam boquiaberto qualquer desenhista de charges, a desfilar na minha frente. Até mesmo um estilista de modas bizarras sentiria inveja, frente à criatividade forçada e improvisada que essa turma tinha. Não podia usar a câmera fotográfica. Só podia contar com uma boa memória para captar os detalhes. Pensei até em usar uma micro-câmera. Na verdade comprei uma, mas não tive oportunidade de usá-la. Além disso, requereria um treino para saber enquadrar as imagens, sem ser pelo olho. E tem que esconder bem a micro-câmera.

Talvez a melhor opção, quando pretende captar as imagens em locais controversos ou problemáticos, é de estar sempre a esboçar os cenários nele, de modo que seus habitantes se acostumassem com a tua presença. Mas nesse caso, você teria de vestir igual a eles (ou pelo menos próximo), e ter uma boa empatia, para ganhar a confiança. Tal como Toulose Lautrec tinha feito no Moulin Rouge. Assíduo frequentador do local, tinha até uma cadeira cativa, ele pintava as dançarinas, cantoras, os frequentadores e as prostituas do lugar.


Mas a razão porque uso uma pequena câmera fotográfica, também, é que não dá para você captar certas impressôes visuais com qualquer instrumento de desenho e pintura que disponha nas mãos. Por mais hábil que você seja, não consegue captar certos brilhos e formatos das nuvens, ou a translucidez que a luz solar faz nas pétalas de uma flor, ou as texturas das pedras que se encontram no caminho. Não com o teu kit sketches, por mais completo que seja. Pois, o Skechbook serve para captar as idéias e percepções visuais e mentais. A câmera fotográfica capta os detalhes que não podemos registrar. Salvo tenhamos uma excelente memória fotográfia. Mesmo assim, tem suas limitações.

Eu acho que um desenhista e artista plástico deve ter sempre uma câmera fotográfica compacta. Ou um celular (telemóvel) com esse recurso razoável. É a minha opinião. Além disso, um incentivo para você enriquecer o teu banco de imagens, no tablet ou no celular (telemóvel).


Registre as tuas artes e proteja teus direitos autorais

Existem vários motivos para você fazer isso: As tuas criações são frutos de trabalhos, e só você sabe o quanto de esforço foi preciso para chegar a eles. Então, quem é que de fato valoriza os teus trabalhos é você mesmo. Além disso, estamos em dias difíceis. Se a tua criação der certo e fizer sucesso, é bem provável que você viva dele, e quem sabe até bem. Mas caso você não tenha feito nenhum registro para proteger os teus direitos, os outros podem fazê-lo, mas para defender os seus interesses, e à custa de todo o trabalho que você dispensou. E o pior: Esse alguém pode ir além de plagiar o teu trabalho. Ele pode usá-lo para outros fins e propósitos, podendo inclusive serem contrários aos teus propósitos e princípios. E pior ainda: Pode proibi-lo de usufruir da tua própria criação. Afinal, ele registrou em seu nome. E talvez você nunca consiga provar que é o autor dessa criação. Para evitar possíveis dores de cabeça, registre o mais rápido possível as tuas criações.E não mostre a outros elas, até que tenha as protegidas. Mesmo que você tem a intenção de disponibilizar as tuas criações para terceiros, sempre é bom ter essa proteção.

No Brasil eu fazia os meus registros na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, cuja representação em São Paulo ficava na Alameda Nothmann, 1058. E o registro custava cerca de R$ 20,00. Seria um absurdo achar que é caro. Considerando o trabalho que você teve nas tuas criações. Você pode colocar todas elas impressas em uma brochura de 200 páginas (ou mais), mas sem grampeá-las, e em uma pasta para agrupá-las. E nessa brochura, pode colocar um mundo de personagens de quadrinhos que você criou, por exemplo. Por via de dúvidas, procure se informar na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. Os teus registros tem validade internacional e pelo menos por 70 anos.

Certamente que pode usar outros recursos, como o envio de Sedex registrado para você mesmo, e sem abrir a embalagem, para não violá-lo. Ou então, enviar E-mails para você e outras pessoas, considerando que a data de envio é em tese inviolável. E existem outros recursos. Mas nada é de fato garantido.

Aqui em Portugal, o registro é feito através de EGARC, e sai por 60 EUR. É portanto mais caro. Mas ainda não fiz nenhum registro nele. Aparentemente não tem um site próprio. Mas além disso, tem uma pequena lista de opções:


Fuja do óbvio e da mediocridade

O desenhista, assim como artista plástico, é um experimentador: Ele procura descobrir os materiais como os quais possam expressar as suas idéias e sentimentos. E nessas tentativas, ele carrega um arsenal de instrumentos. Evidentemente que todos (ou quase) começam com um simples bloco de desenho com lápis ou lapiseira. E aos poucos vão evoluindo para caminhos até pouco ortodoxos, trabalhando com materiais inusitados.

Levando-se em conta que existem certas limitações individuais, convém respeitá-las, porque isso faz parte das diferenças. Você improvisa no uso dos materiais e desenvolve as tuas técnicas, a sabor dos teus gostos e inclinações. E certamente certas afinidades não serão alcançadas, porque isso faz parte do teu estilo. Por exemplo, certos traçados você não faz porque não gosta. E talvez nunca consiga alcançar a perfeição anatômica nas figuras humanas desenvolvidas por você mesmo. Este é o meu caso, por exemplo. Então, convém que desenvolva o teu estilo usando outros tipos de traçados, e ignorando as figuras humanas, ou criando as personagens estilizadas. Ou nem sequer isso.

Muitos desenhistas tornaram famosos sem contudo saber desenhar uma figura humana sequer. Por exemplo, André Dahmer, com as suas tiras “Os Malvados”, “Quadrinhos dos anos 10”, “Vida e Obra Terêncio Horto”:

Ou o “Dr. Pepper” de [o “Criador”...], com o seu próprio estilo de desenhar figuras humanas, já estilizadas, mas acrescentando interessantes inovações:

O que vale aqui é a originalidade e o bom gosto. Este último em particular, depende muito do consenso, o que pode variar de uma época para outra. Isto dificulta a busca de uma estética permanente ou perpétua, e que resiste ao tempo.


Garanta o teu trabalho como nômade digital

Considerando o que tinha dito antes, de que a Arte é um supérfluo, e da necessidade do uso de criatividade e de improvisação, é claro de que deve sempre procurar as alternativas para os problemas surgidos. E nesse caso o mercado de trabalho é um desses problemas. Pois, vivemos em um mundo em que as transformações estão se acelerando cada vez mais. E muitas pessoas vão ficar sem emprego. Aqui não se trata mais em trabalhar como freelancer (autônomo), e sim, mais além: Você deve procurar os teus clientes em outros lugares, países, no mundo todo.

O nômade digital é um profissional que pode trabalhar em qualquer lugar do mundo, e para qualquer cliente que tenha no mundo todo. E sem estar preso a um lugar. Pois, ele pode se deslocar por aí, razão porque é um tipo de nômade. Mas isto não significa que fique viajando por aí. E sim, apenas não estar preso. O que traz uma grande vantagem: Pode encontrar um lugar para viver, em que o custo de vida seja barato, pelo o que ele ganha. E de troco, aprender mais sobre as culturas locais em que ele se encontra.

Tudo o que ele precisa é um computador conectado à Internet. Evidentemente que tem outros requisitos: É essencial que ele saiba o Inglês, por tratar-se de uma língua adotada internacionalmente. Além disso, tem outros requisitos, como saber gerenciar os seus gastos, suas atividades etc.

A maioria das profissões podem encaixar-se bem na categoria de nômade digital, como: Escritores, tradutores, programadores, desenhista gráfico, webmaster, webdesigner, programador, ilustrador etc. Outras são impossíveis. Por exemplo, o médico: Ele trabalha ou em um hospital ou em um consultório próprio. Salvo talvez, preste acessoria a terceiros, orientações, pesquisas documentais etc.

Porém, a proposta que apresento aqui é um pouco diferente, e que pretendo apresentar nos próximos artigos, mas como esboços. Por favor aguarde!


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