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Petfilia em tempos pós-modernos 01
São Paulo, 21 de outubro de 2013, segunda-feira.

Comportamentos de massa nem sempre são consideradas saudáveis. Se é que poderiam ser consideradas como tais. E as culturas escondem suas patologias. Mas tais são aceitas como normais. Até que um dia alguém questione... Principalmente quando foram tomadas certas decisões, e que tragam prejuízos. Principalmente materiais. É o caso da petfilia, que precipitou em certas conseqüências, como a invasão e o sequestro de animais de um laboratório, além da destruição dos seus materiais de pesquisas.

O que é a petfilia:
O termo correto deveria ser zoofilia: Do grego zoo (animal) e filos (amigo), portanto, “amigos de animais”. No entanto, esse termo foi usado inadequadamente para designar relações sexuais com os animais. Razão porque usei essa nova palavra, que pouco tem a ver com a etimologia, uma vez que “pet” não tem, a meu ver, origem latina (ou grega).

Petfilia na minha definição, é o amor exagerado aos animais. A ponto de tratá-los como filhos. E nos casos extremos, valorizá-los mais do que aos seres humanos, negligenciando-os. É no meu entender, uma modalidade de perversão. E perverter significa mudar os valores, no sentido de corrompê-los, fugindo da naturalidade das coisas. Uma das formas de perversão, por exemplo, é o homossexualismo: As relações sexuais são alteradas, no sentido de mudar o curso natural das coisas. Não entra aí a questão de se é intencional ou não.

O caso do sequestro dos animais em São Roque
Fiquei sabendo da invasão à uma empresa de pesquisas, o Instituto Royal, lá em São Roque, aonde os ativistas “resgataram” os pobres animais que estavam presos lá, sob a acusação de maus-tratos. Alegação esta que não foi comprovada. A empresa, ao que tudo indica, estava dentro da lei. Mas em nome dos direitos dos animais, tudo é possível. Inclusive a destruição ou o comprometimento de anos de pesquisas. Nesse caso, o prejuízo não foi somente material, e sim, na própria Ciência.

Foi daí que lembrei-me de um episódio ocorrido no começo do ano passado. Mais precisamente, em 16 de janeiro de 2012. Na ocasião, eu tinha ido lá na região de Sta Ifigênia, o centro de eletroeletrônicos voltados para computadores em São Paulo. Geralmente quando vou para lá, é porque tenho alguns problemas técnicos a serem resolvidos. E ao sair de lá, caminhei em direção à Avenida São João.

Mas quando me aproximei da Praça Júlio Mesquita, vi uma garota com algumas ajudantes a tentar resgatar os cães, e que estavam dentro de uma carroça. Na verdade, a fêmea tinha uma ninhada. E o macho, não podia sair de lá. Indagada do que estava fazendo, a garota me disse que é responsável por uma ONG voltada para os animais abandonados, em São Roque. Ou trabalha lá, se me lembro.







Evidentemente que aproveitei para fotografar o ocorrido. Ela estava tentando dopar os animais, para poder levá-los, juntamente com a ninhada para o sítio em que encontra esta ONG. Daí, perguntei sobre o dono da carroça. O que ela respondeu de que foi preso pela polícia por desacato a autoridade. Isto é, o sujeito, que não conheço, por algum motivo entrou em conflito com a polícia militar ou o guarda metropolitana, e foi para cana, sendo obrigado a deixar a carroça e os animais na praça.

Saí do local, indo para pegar o ônibus. Pois, achei que não tinha nada a fazer lá. Foi quando, mais adiante, percebi o grande drama e a contradição que estava por trás de tudo isso.

O rapaz, ou senhor de idade (pois, não o conheço) mora na rua, e tem como companhia os cachorros, que o protege. E a fêmea teve uma ninhada. Até aí tudo bem. Pois, se a ninhada estava dentro da carroça, é porque o dono desta sabia cuidar; e a fêmea aceitou esse convívio. Mas o sujeito, por uma besteira qualquer, desacatou a autoridade, que geralmente é insensível. Possivelmente ele estava bêbado, ou nos piores dias da sua vida. Mas vai para a cadeia, forçado a deixar tudo para trás.

É possível que passe uma noite, duas ou três na cadeia. Porque as autoridades não querem problemas, e uma temporada na cadeia custa dinheiro para o Estado também, certo? Então é solto. Volta desesperado para a sua carroça, e não encontra os seus animais de estimação. Isto porque uma garota de uma ONG, e que percebe-se financeiramente bem de vida e bem nutrida, resolveu fazer uma “caridade”, resgatando os pobres bichos.

E me veio uma pergunta na cabeça:

Por que ela (e suas ajudantes) não foram pagar possíveis fianças do sujeito transgressor? Os animais ficariam bem com quem? Com a ONG? Ou com o dito sujeito? Teria ela, de fato, condições para avaliar e decidir? Se fosse esse o caso, por que não tentou ver o outro lado? É possível que ela tenha tentado outras opções. Mas eu não sabia.

Pensei em voltar para conversar com ela. Mas naquele dia, uma segunda-feira, se me lembro, tinha muitos outros problemas a resolver. Mais tarde porém, lembrei-me de várias situações em que são para reflexões profundas. Eu diria, filosóficas. Muitas vezes, quando ando pelas ruas, perto da casa mesmo, vejo as belas garotas com os seus cãezinhos cosméticos a passear, vestidos com indumentárias dignas de crianças mimadas: Coletes de lã, enfeites nas orelhas, e até sapatinhos nas patinhas. São tratados como filhos.

Não é difícil de perceber de que muitos canalizam as suas carências afetivas nos animais, e não nos seres humanos. Na verdade, o amor ao próximo compromete. Razão talvez porque muitos não querem ter filhos, ou até adotá-los. Mas os animais não trazem maiores problemas ou despesas: Recebem os carinhos dos seus donos, sem reclamar; mas também não podem retribuir à altura.

Isto porque os animais não são seres humanos. Não teriam as percepções e nem os sentimentos para compreender a extenção do amor de seus donos. Certamente que têm gratidões. Mas não podem dialogar, e nem precisariam. O que me leva a concluir de que eles (os donos) não querem esse retorno. Antes, preferem manter-se nos seus mundos egocêntricos, sem enfrentar os possíveis conflitos quando dois seres humanos trocam valores e sentimentos.

Antes preferem fazer as suas boas ações nos animais (descarregando assim as suas carências), e receberem de volta, os rabos abanando de alegria e de gratidão. É esse tipo de sentimento que os satisfazem. Porque qualquer outros, possivelmente gerariam comprometimentos, e que ameaçariam os seus mundos pessoais. Os únicos trabalhos seriam a de alimentar os animais, limpar os seus dejetos e dar-lhes os carinhos. Não deixa de ser um amor egoísta e perverso. Porque distorce a realidade e os valores em que vivem.

Guardo interessantes recortes de jornais, como este: Idosa falece, e deixa herança para seus gatinhos, tartarugas ou cães, e nada (ou quase nada) para sua filha, filho, neto etc. Geralmente são as mulheres que mais praticam esse tipo de petfilia. Isto é, tratam os animais como se fossem seres humanos. Ou pior até: Desprezam os seres humanos.

Argumentariam dizendo de que no mundo tem milhões de pessoas, e que poderiam preocupar-se com os menos favorecidos, os carentes, os órfãos, as viúvas desamparadas etc. Mas que ninguém se preocuparia com os animais. Argumentos bastante convincentes. Eu contestaria mostrando os seguintes:

  1. Somos nós que temos os sentimentos sublimes, e as realizações que testemunham esses sentimentos, através das artes, filosofias, ciências, e até mesmo as questões religiosas. Os animais não têm isso. eles tem seus próprios sentimentos, e que se entendem entre si. Do contrário, desejariam ter as mãos humanas para fazer as nossas realizações, porque sentiriam a necessidade de serem iguais a nós. Pois, se isso não foi concedido para eles, é porque os seus pensamentos e visão do mundo é diferente do nosso. Por mais que os animais fiquem gratos pela nossa atenção, a ponto de darem suas própris vidas, não são seres humanos.
  2. A responsabilidade do homem é com o seu próximo. Porque os nossos sentimentos mais sublimes podem ser compreendidos e correspondidos. Razão porque vivemos em sociedade.
  3. Devemos tratar bem os animais sim, mas que não passe além disso. Pois eles existem para servir ao homem. Você poderia discordar, no entanto, os fatos falam por si: A humanidade chegou aonde está porque usamos os animais, assim como também de todos os recursos da natureza. Dizer que isto é errado na verdade é uma questão impertinente: Então não deveríamos existir. O máximo que podemos fazer é tornar as relações mais harmoniosas possíveis. Isto é: Não maltratar os animais, respeitar os seus limites e cuidar deles.
  4. Podem existir milhões para cuidar dos necessitados, órfãos, viúvas, pobres, desamparados etc. Mas eu não sou os milhões, e não respondo por eles. Logo, dentro do alcance da minha consciência, devo ajudar o próximo e necessitado, e com o que posso. E não gastar o dinheiro para cuidar dos animais, se posso cuidar do próximo. Mesmo dentro do meu egoísmo e pequenez, existe um leque de opções disponíveis, para ajudar o próximo.
  5. Os pobres não teriam essas preocupações (nem condições em criar ONGs para animais). Porque estão preocupados em resolver os seus problemas, relacionar-se com o próximo (e que passam as mesmas necessidades que eles passam), no intuito de um ajudar o outro. E os animais (cães, gatos, galinhas etc.) tornam-se seus amigos no momento da solidão e que os protegem. Podem ser grandes amigos, mas não teriam (creio eu) a insanidade de igualá-los aos seres humanos. Poderiam dizer que fazem isso. Mas na última instância, sabem que animais são animais,e seres humanos são seres humanos. No entanto, arrancar os seus companheiros de estimação é o mesmo que tirasse tudo, além dos poucos ou nenhum bens que possuiriram. Seria o cúmulo de desumanidade.

Creio eu que somente quem que tem dinheiro sobrando, e uma vida razoavelmente boa, é que teria delírios sobre supostas violações dos direitos dos animais. Ou de que eles teriam os direitos comparáveis aos dos seres humanos. Isto é, pelo menos que aproximassem bastante a esses. Isto lembra, e de maneira contungente, a certas questões sobre o comportamento humano, e que o senhor Jesus deixou claro:

Deveríamos amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmo (Mateus 22:37-40). Mesmo para um ateu, que acha que tudo o que está escrito na Bíblia é um mito, e que Deus não existe, não dá para ignorar de que pelo menos o segundo mandamento (apresentado nos versículos acima), se fosse seguido, resolveria muitos dos nossos problemas: Reduziria boa parte das violências, dos crimes, e nos tornariam mais sensíveis e humanos.

Sobre a garota da praça...
Não sei se está vinculada aos ativistas que invadiram e destruiram o acervo de um laboratório conceituado. Mas certamente reflete o tipo de comportamento recorrente nos dias atuais, em que os valores humanos são negligenciados, em detrimentos aos supostos direitos dos animais.

O caso da mulher devorada pelos seus gatos (e cães)
É muito comum das pessoas morrerem sozinhas em casa, e que só se descobre quando já estão apodrecendo ou virando pó. Foi o caso de uma mulher na Inglaterra, e que a vizinhança indagava pelo sumiço dela. Quando a polícia arrombou a porta da casa dela, a encontrou em estado avançado de putrefação. E parte do corpo dela tinha sido devorada pelos animais que criara. Também encontraram alguns cães e gatos mortos em casa. É que a mulher criava os bichos dentro da casa. (VER: Mulher morre e tem corpo devorado pelos seus gatos na Inglaterra). Tudo leva a crer que ela morava sozinha com os animais.

O caso dela me fez lembrar de um dos livros que li, sobre as ruinas de Pompéia e do Herculano (arqueologia). Não me lembro bem qual das duas cidades, que foram soterradas pelas lavas do Vesúvio. Mas nas escavações de uma delas, encontraram em um aposento, o esqueleto de uma velha e de um cachorro. Parecia que o do animal era grande. Detalhe é que o esqueleto da mulher tinha os ossos espalhados pelo aposento. Enquanto que do animal estava intacto.

Os animais não são humanos, por mais que tentemos humanizá-los impondo os nossos valores e cosméticos culturais neles. São animais mesmo, apenas condicionados aos comportamentos dos humanos. Mas na hora da sobrevivência, a natureza encarrega de devolvê-los seus estados naturais, enquanto que sucumbimos nas nossas tolas pretensões.

Imagens chocantes...
Sinto muito, mas aqui não tem nenhum dos beagles, os cachorrinhos bonitinhos e fofos, e que sensibilizaram os corações de muita gente na hora do “resgate”. Prefiro as imagens abaixo, que são mais contungentes. Por favor, clique nelas, e vejam as fontes relacionadas.











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