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Porque não uso tatuagens e nem os piercings
São Paulo, 16 de outubro de 2010, sábado.
Revisão feita em 18/ago/2011.

Nos meus ensaios sobre a Galeria do Rock, mencionei acerca das tatuagens e dos piercings nas orelhas, e que também são usados nos lábios, nas línguas e em outras partes do corpo. Tudo isso pode dar o parecer de que sou favorável ao uso desses rudimentos corporais. Na verdade, sou contra. E vou expor aqui o porquê. Mas antes, devo esclarecer que é a minha opinião, a minha postura. Pois, cada um tem a liberdade de fazer o que bem entender com o seu corpo. E eu respeito essa liberdade.

Em primeiro lugar, sou evangélico. Obviamente vem com isso, toda a carga de esteriótipo que se espera, graças aos trabalhos das mídias, associadas a possíveis infiltrações dentro do próprio meio evangélico, cuja finalidade é de denegri-lo. Principalmente certos líderes (pastores) envolvidos nos escândalos. Mas...

Na visão de um crente, todos nós somos especiais, sejam crentes ou não, porque todos somos as obras de criação de Deus, e feitos à imagem Dele. E Ele pôs toda a sua criação sob o nosso domínio (Salmos 8:5). Mesmo que eu tivesse um defeito no meu corpo (ou na minha alma), sou especial. Tanto quanto você que está lendo, também o é, independentemente da tua crença.

E como somos a obra-prima de Deus, mesmo com todas as falhas humanas possíveis, qualquer obra de arte que fizermos em nós, serve apenas para macular, sujar essa maravilhosa obra.

Dentro da medida da minha consciência, sendo eu um artista plástico por cima, jamais marcaria o meu corpo com algo que seja irreversível, ou difícil de retroceder. Na pior das hipóteses, se fosse uma pintura corporal ainda vai lá. Uma maquiagem ou mesmo o uso de um anel, tintura nos cabelos etc. Nenhum dos trabalhos que eu faça se iguala a do meu Criador. E não vou sujar o trabalho Dele.

Tudo bem, você não é crente, e nem sequer crê em Deus. Pois trata-se de um ateu. Mesmo assim, ainda têm os argumentos consistentes para não tatuar-se, nem mesmo usar um brinco ou um alargador. Senão vejamos:

Todas as artes são frutos da nossa cultura. E esta, varia para cada povo e cada época. O que hoje é novidade e excepciontal, amanhã pode tornar-se obsoleto. Dependendo das culturas, tem uns que serrilham os seus dentes, outros, apertam os pés das meninas ainda impurberes, de modo que quando crescem, tem seus pés minúsculos (a China imperial). Outros mutilam a genitária das mulheres, o que ocorre em certos países islâmicos. Ou então, fazem sulcos na pele, como em certos tribos da África, etc., etc.

Ora, o que nos caracteriza como seres inteligentes, é que aprendemos evoluindo culturalmente e sofrendo as trocas simbólicas entres as diversas culturas. Sofremos transformações, sejam através do conhecimento, ou do refinamento das nossa percepção do mundo, e até das emoções. Sim, estas também nos enriquecem. E viver é transformar-se, aprender. De modo que se paramos de aprender, deixamos de viver. Isso é um fato. Nos enriquecemos através de experimentações. E isso inclui nos nossos próprios corpos.

Mas se eu coloco uma marca (a tatuagem, por exemplo), estou imprimindo em mim mesmo algo fixo, que não vai acompanhar as mudanças dos meus pensamentos. Aquela marca pode ser fascinante no momento. E mais tarde, tornar-se-á interessante. Mas daqui a dez anos ou mais, poderei arrepender-me de ter colocado ela. Então, para que isso não ocorra, terei de me condicionar a aceitá-la mesmo antes de pô-la. Ou seja, estou, logo de início, colocando uma restrição em mim mesmo. Não só na minha aparência e que fica marcada, mas no meu futuro comportamento, no meu potencial de me evoluir nos meus pontos de vistas e na minha visão do mundo. Em suma: Essa potencialidade fica comprometida, e estarei condenando a mim mesmo em ser algo permanentemente. É como um tipo de juramento. Pode parecer um absurdo, mas isto é verdade.

Sem marca alguma estarei mais livre. Poderei olhar no espelho, e certificar que não fui “tatuado” por nenhuma cultura, como se faz com o gado, para definir o seu proprietário. Sou imarcável. Sou único. A minha verdadeira marca é o meu pensamento em ação, e de dentro para fora. Ou seja: Sou eu que marco algo, e não ser marcado por alguém.

Evidentemente que todos nós somos (de uma certa forma ou de outra) frutos da cultura em que nascemos, vivemos ou convivemos. Porém, somos seres em transformação. E podemos decidir quais as futuras influências culturais nas nossas vidas. Na verdade, não precisamos sequer seguir a uma moda ou tendência cultural. Uma vez que podemos criar a nossa moda, as nossas tendências, e até “exportá-las” para os nossos amigos. Enfim, somos diferentes.

E ser diferente nesse sentido é uma sensação agradável. Não significa que você é melhor ou superior a alguém. Nem mesmo que você seja pior ou inferior. Simplesmente você é diferente. Porque todos nós somos. E refletir isso no nosso modo de viver é bom. Não preciso de uma marca para me identificar com algum grupo ou turma ou tribo urbana. Porque posso me diferenciar dos demais. Mas com uma marca, mesmo estando isolado, estarei preso a um modo de vida, um valor, um costume, e que posso não querer mais...

Mas... se mesmo assim, achar que o argumento não convenceu, veja essa publicação, feita no Jornal da Tarde, em 14 de outubro de 2010:


  Quadrinho de Bob Thaves (thavesone@aol.com) - http://www.comics.com



Comentários feitos...
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17/01/2011 - 19:07 - Joaquim - Sua crença em deus, ou nesse deu que você escolheu da mitologia Cristã, também me parece ser uma coisa fixa e sem volta, caro Zadoque. Não acho esse argumento muito bom.

E sobre se “marcar como boi”, também acho a metáfora infeliz. Fazemos várias outras coisas que podem ser travestidas como algo negativo; vamos trabalhar em escritórios fechados, em prédios, empilhados, como insetos, entrando e saindo na mesma hora também como bois... Não é?

A tatuagem é uma maneira de, quem gosta dela, expressar algo em seu corpo. Você não tem a obrigação de gostar ou querer, mas é uma manifestação humana como várias outras.

23/01/2011 - Zadoque - Joaquim, mas nós somos bois! Você ainda não percebeu? E a maioria irá para o matadouro. Bois para o matadouro: Estudamos para nos formamos, trabalhamos, fazemos as nossas economias, pagamos os impostos e outras contas, compramos uma casa própria, casamos para formar as nossas futuras famílias, criamos os nossos filhos etc. E no final, aposentamos e esperamos a morte. Ninguém considerou qual é a verdadeira finalidade da existência humana. Sequer cogitou se existe um ser inteligente por detrás de tudo isso, e que deveríamos conhecê-lo. Todos preferem adotar uma crença. Digo todos, inclusive os ateus, porque não podem provar que Deus não existe. Portanto, o ateísmo também é uma crença.

Sobre a mitologia cristã, é complicado fazer tal afirmação. Porque é preciso confirmar que de fato é uma mitologia, e não basear-se em leituras mal-feitas, ou pesquisas em fontes prontas, sejam elas (as pesquisas) mal-feitas, ou as fontes questionáveis ou duvidosas. Eu mesmo não ousaria dizer que os orixás do candomblé ou da umbanda sejam mitologias.

A minha crença em Deus pode ser uma coisa fixa e sem volta, mas isto não quer dizer que futuramente eu não possa fazer uma tatuagem. Por que não? Postura de crença é uma coisa. Opiniões acerca de determinados assuntos é outra. Estão relacionadas, mas não podem ser confundidas.


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