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Encontrado os pianos acústicos
São Paulo, 16 de agosto de 2010, segunda-feira.
Atualizado em 23 de janeiro de 2016, sábado.  


Depois de exaustivas buscas em certos bairros da cidade, enfim, encontrei as lojas que ainda vendem os pianos acústicos. Para quem não sabe (ainda), tais pianos são os tradicionais, constituidos de cordas, martelinhos etc. Tudo de madeira e ferro fundido. Na verdade, encontrei apenas uma loja que vende vários modelos, sejam novos ou usados. E outras, que vendem um tipo de piano: Seja da Yamaha ou de outro tipo de marca.


Esses tipos de pianos perderam os seus terrenos para os eletrônicos. Apesar das evidentes deficiências apresentadas por estes últimos. Em uma loja de instrumentos musicais em Pinheiros, por exemplo, encontrei apenas um piano acústico. E estava encostado em um canto, frente a vários modelos de pianos eletrônicos e teclados de todos os tipos. Mostrei para os lojistas uma das deficiências do piano eletrônico, e que passaria batido para a maioria das pessoas que tocam o instrumento.

No piano acústico existe o recurso da ressonância dos sons em outras cordas, produzindo as harmônicas. Ao contrário, um piano eletrônico segue o mesmo princípio de qualquer teclado e sintetizador. Nele cada tecla corresponde a um arquivo específico de som gravado na memória - o sample. Sendo assim, o instrumento é na verdade, um repertório de arquivos gravados, para produzir os sons correspondentes.



Faça a seguinte experiência em um piano acústico: Toque, por exemplo, uma nota grave - o mi - e fortemente. Mantenha a tecla abaixada e segure o pedal do piano. Em seguida, abaixe uma outra nota mi em uma oitava acima, mas sem emitir nenhum som desta. Mantenha essa última tecla abaixada, e solte a tecla do primeiro mi e o pedal do piano. Você deve continuar a ouvir um som, que corresponde a esse segundo mi... Isto é a ressonância produziu uma harmônica, que é a segunda nota.

Agora, repita a mesma experiência em um piano eletrônico. Você não vai ouvir nada. Soltou o pedal, abafou todo tipo de som. Isso porque o instrumento não tem nenhuma parte física que provoque essa ressonância. Na ocasião em que fiz a demonstração, havia um representante da Yamaha na loja. Um oriental. Ele tirou um caderninho do bolso e começou a fazer suas anotações. Perguntei a ele se era alguma observação feita, o que não recebi nenhuma resposta satisfatória. Na verdade, seria uma bobagem pensar que fosse por causa da possível observação feita por mim, porque (mais adiante confirmei) vi que esse tipo de problema já tinha sido pensado e até resolvido.

Existem outras deficiências nos pianos eletrônicos. Veja em diferenças entre piano acústico e digital, no site do TeLiga.net. Lá você encontrará outros artigos relacionados. Mas por que, então, a preferência pelos pianos eletrônicos? A variedade na riqueza dos timbres? A capacidade de produzir o som de órgãos, cravos e até de voz humana?

Os argumentos dos lojistas que vendem esses instrumentos é que os pianos eletrônicos não desafinam, e resolvem certos problemas, como o indesejável barulho do som em um apartamento, e que pode perturbar a vizinhança. Além disso, os pianos eletrônicos são mais baratos. Pois, os acústicos comuns custam cerca de R$ 8 a R$ 10 mil. E os modelos de cauda, chegam a R$ 30 mil ou mais. Mas um piano eletrônico você consegue a partir de R$ 3 mil ou menos.


É certo que a tecnologia desses instrumentos está evoluindo. Quando fui procurar a extinta Casa Bevilacqua, descobri que ela foi vendida para uma outra loja, e que fica em Moema. Na verdade esta comprou o direito do uso do nome da primeira. A Casa Bevilacqua extinguiu de vez. Acabou. Pois, bem, fiquei sabendo nessa outra loja, que já tem um modelo de piano que permite esse recurso de ressonância com harmônicas etc. Não perguntei o preço do instrumento...

No Brasil, tem uma fábrica de pianos que, a princípio, recebi a errada informação de que tinha sido fechada, e que agora estaria apenas fabricando os móveis: A Pianofatura Paulista, criadora dos pianos Fritz Dobbert. Pois bem, nesse fim-de-semana resolvi acessar o site da empresa, e para a minha surpresa, descobri que ela está comemorando os 60 anos de atuação no mercado, expondo seus pianos no MUBE (Museu Brasileiro de Escultura). Fui imediatamente à exposição, e pude confirmar o grande interesse pelos instrumentos - a maioria constituida de jovens, principalmente de crianças. Estavam expostas 5 modelos de pianos: Dois verticais e três de cauda, sendo que um foi trabalhado por um grupo de artistas.

Ou seja: A Pianofatura Paulista está firme e continua fabricando os pianos Fritz Dobbert. Infelizmente não pude preparar a tempo as fotos feitas e expô-las aqui. O MUBE fica na Av. Europa 218. Mas a exposição termina no dia 16 de agosto. É uma pena. Porém, as fotos com os detalhes sairão no próximo artigo relacionado.


Prefiro os acústicos porque eles são originais, e não simulações. O piano levou séculos de desenvolvimento, sem contar que ele é na verdade um instrumento de corda e de percursão. Portanto, pode contar com pelo menos milhares de anos de evolução. Imagine se desse para inventar um violino eletrônico. Se pudesse, você prefereria um destes ou um Stradivarius?

A minha busca inicial por um teclado foi evidentemente motivado pelo mesmo argumento citado: Eu precisava de um instrumento musical que não perturbasse a vizinhança, se for executá-lo na calada da noite. Isso porque, uma noite sonhei com uma bela música de piano, bem no estilo chopiniano. Imediatamente ao acordar-me, tentei reter essa música, para não esquecer. Recorri-me então a um gravador. Mas a minha voz era ruim, e não dava, obviamente, para cantar o próprio acompanhamento.

Depois das minhas buscas por um hipotético teclado, é que lembrei que não precisava de nada disso: Bastava usar os mesmos recursos dos compositores. Isto é, aprender a compor em partituras. O que implica em conhecer a teoria musical (e que sei um pouco), como também as noções de harmonia, contra-ponto, composição etc. E para completar, é essencial um instrumento para determinar a tônica da escala musical em que você está compondo: Uma diapasão. Um afinador, mas que nesse caso serviria para saber em que nota você vai compor a sua música.

Por R$ 20,00 comprei um “garfo” desses, utilizado para afinar violões, violinos etc. Pois, este não “perturba” ninguém. Mas requer um certo treino no seu uso. Existem os afinadores eletrônicos, que são bem mais práticos. Mas com um “garfo”, acredite, você aprende até as primeiras noções do canto orfeônico (caso não saiba). E creio que pode melhorar o seu canto. Pois, terá de descobrir a nota com que vai compor a sua música, a partir da nota padrão - o , o que fará com que você recite as outras notas cantando. Você vai descobrir até os teus próprios limites.

Dá até para brincar um pouco, se você quer escutar o som do garfo “amplificado”. Basta encostar o seu cabo (depois de fazê-lo vibrar) em uma caixa qualquer: De papelão, no cabinete do computador, no pote de iogurte... para ouvir o som característico do a 440 hertz...


O uso inusitado de um piano na instalação


Ao procurar a Casa Bevilacqua, no mesmo dia, passei no Centro Cultural Banco do Brasil. E para a minha surpresa, estava lá, logo na entrada, um piano de cauda, pendurado de cabeça para baixo. Uma das instalações da artista plástica Rebecca Horn (“Rebelião em silêncio”). Aproveitei e vi as outras obras dela expostas no local. Não achei lá muito interessante.

O piano fica mudo naquela posição, à espreita dos seus visitantes. Mas a cada 15 minutos, ele abre a tampa e literalmente solta as teclas; e balança um pouco, dando a sensação de que vai cair. Isso me fez lembrar um pouco A Catedral de Claude Debussy. Quando, à meia-noite, emerge repentinamente do abismo do mar. Toca então seus sinos, para depois, voltar a submergir-se.

A exposição de Rebecca Horn começou em 3 de agosto, e vai até 3 de outubro de 2010, no Centro Cultural Banco do Brasil.

Revisão feita em 22 de agosto de 2010.



Comentários feitos
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08/12/2011 - 09:06 - Arnaldo A. Nora Antunes - Zadoque, gostei muito de seu artigo. Fui pianista na juventude, gostaria de entrar em contacto com você. Tenho um piano Brasil há mais de 40 anos, desejo vendê-lo. Atencio/Arnaldo

11/12/2011 - 17:28 - Zadoque - Arnaldo, qualquer um pode divulgar as vendas através da Página de Zadoque. Basta colocar o E-mail para o contato neste campo (aqui). Pois, se for no campo ‘E-mail’, ele não será divulgado. A proposta de divulgação será analisada, para ver se é pertinente ao conteúdo do artigo. Aguardo o teu retorno!








Referências:

Fritz Dobbert - Pianos
http://www.fritzdobbert.com.br/
Pianofatura Paulista - A maior indústria de pianos da América Latina. Tel.: (11) 3973-7900.



Outras referências:

   • O sumiço dos pianos acústicos: Fim de um tempo



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