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Cartões de celofane e de acetato 01
São Paulo, 14 de junho de 2009, domingo.


Existe uma história para esses cartões artesanais apresentados: Eles tem cerca de 20 anos de desenvolvimento. Surgiram em uma ocasião em que eu não via a arte como parte da minha vida. Isto é, a de assumir a minha postura como artista. Na verdade, quando me iniciei nesse tipo de atividade, já estava dando os primeiros passos, ainda que inconscientemente, para a minha profissionalização como desenhista.

Aprendi a fazer esses cartões no tempo de escola (Ensino Médio). Enquanto que os meus colegas desenvolviam várias temáticas, eu não estava nem aí... O meu interesse era mais em esoterismo. Pois, me ocupava, entre outras coisas, em ler as cartas de Tarot e as mãos das colegas - mais exatamente, as garotas da turma. Parece que as mulheres de fato tem queda para acreditarem nessas coisas. Ainda levava um tempo para eu perceber que estava envolvido em um sistema de mentiras. Portanto, as minhas artes, se é que podiam ser chamadas assim, tinham certas ligações com esoterismo, além de um outro envolvimento que me apaixonava: A de ficção científica. Não eram lá grandes coisas, porque foram feitas nos cadernos, misturadas às anotações de classe. Ao mesmo tempo, eu estava fazendo as minhas descobertas sobre as artes, mas dentro das bibliotecas públicas, deleitando-se com as coleções existentes. E em especial, os desenhos e pinturas de Leonardo da Vinci; particularmente suas mulheres.

Bom, naquela época, na escola... parece que quando me dei conta, vi que faltava pouco tempo para entregar o meu trabalho de arte, que na ocasião, era uma das matérias. Rapidamente,
como que tomado por um impulso, peguei em um compasso, e resolvi desenhar vários círculos, as quais eu fazia os cortes com uma lâmina de barbear, para criar um tipo de vitral. Pois, eu não tinha até aquele momento, algum tema a ser desenvolvido. O trabalho ficou impressionante: Eu tinha criado um tipo de janela circular, formada por vários círculos coloridos, dando a forma de uma estrela (Ver detalhes). Infelizmente este trabalho se perdeu, depois que resolvi colá-lo na janela do meu quarto. Foi aí que descobri que os celofanes são materiais muito sensíveis à luz, além de que, com a umidade, eles se encolhiam, deformando o papel o qual estavam colados. Somente bem mais tarde é que resolvi retomar a esse tipo de arte.

E essa retomada se deve à uma necessidade: Eu já era desenhista, depois de ter me iniciado como quadrinista. Mas

  
   estava desempregado, e ainda tinha poucas experiências. O que fazer?

Não tinha lá muitas opções, e eu sentia que ainda não estava preparado para concorrer no mercado como freelancer. Da pouca experiência que tinha como desenhista de histórias em quadrinhos, além de alguma estadia em editoras, pude fazer algumas tirinhas, com meus próprios bonecos, de teor satírico. Era uma tentativa de amenizar a situação. Mas todo o material não foi utilizado para uma finalidade comercial, uma vez que eu não sabia sequer se tinha aceitação; exceto dentro de um pequeno círculo de amigos. Além disso, acabei concluindo que histórias em quadrinhos não daria dinheiro.

Tive então, de partir para uma outra alternativa. E justamente por causa da minha experiência em desenhos infanto-juvenis, acabei entrando em um mercado mais inclinado para o público feminido: Os meus traços e as cores, de uma certa forma atraia os interesses das mulheres... Isto é, na medida em

que eu procurava desenvolver os trabalhos, via como reagiam as pessoas, através das lojas onde os deixavam.

Evidentemente que, além da afinidade para esse tipo de trabalho, e que estava aliada às próprias limitações que eu tinha, havia também a questão de se tratar de uma temática mais ou menos “neutra”. Pois, não pretendo, entre outras coisas, me envolver com as datas comemorativas; particularmente certas datas, que entrariam em confronto com o meu novo sistema de crenças religiosas. Eu não gostaria de ver a minha arte envolvida em certas cumplicidades ideológicas, e que sejam contrárias à minha própria postura espiritual.

  

É uma questão de liberdade de escolha. Trata-se de um direito. Assim como existem aqueles que não gostariam de se envolver, por exemplo, com as festas natalinas, como os judeus ortodoxos e os muçulmanos (creio eu), da mesma forma eu preferi assumir esta postura. Nunca fui adepto dos Testemunhas de Jeová, como alguns poderiam pensar. Pois, desde então, tornei-me evangélico, crente, “protestante”, mais de tendência batista. Ou seja: Sou um crente fundamentalista.

Dessa forma, procurei tomar um determinado rumo para os trabalhos que faço. Mesmo estando certo de que qualquer trabalho que seja, quando se trata de uma forma de comunicação, estará envolvido a uma ideologia; seja ela qual for. Não nego isso, pelo contrário, faço questão de expor as minhas posturas ideológicas perante os outros.

   Esses cartões tiveram aceitação. Mas apresentavam um problema: São artesanais... A sua produção implicava uma grande demanda de tempo. E os lojistas não podiam vender pelo preço que eu achava válido. Isto é, eu estava ganhando muito pouco, estando assim, sujeito à lei do mercado, como se fosse concorrer de igual para igual à produção industrial.

Procurei então uma outra alternativa: A de reduzir o número de cortes a serem feitos no papel, e a de sofisticar mais no desenho. Ao mesmo tempo em que substitui os celofanes por acetato. Este, por sua vez, não tinham as cores pintados sobre ele, e sim, reproduzido através de fotocópias. Em outras palavras: Eu estava assumindo uma postura de produção otimizada, tendo consciência de que isto poderia reduzir a qualidade do trabalho. Como se vê na ilustração ao lado, deixaram de existir os traços simples nos desenhos. E o que poderia atuar como um tipo de vitral, não passa de um simples corte, quase circular, sobre o desenho.

Aproximadamente dez anos passaram entre o primeiro estilo de desenho e o segundo. Mais do que diferença, agora, creio eu que seja o momento de se voltar para o desenvolvimento das minhas expressões artísticas. O jovem internauta, logo em breve terá a oportunidade de ver novos trabalhos, caso ele se interesse.


Como se vê, no detalhe da ilustração, trata-se de uma fotocópia sobre o acetato, e cujo original foi tirado de um anúncio publicitário. Não tive o trabalho de fazer uma colagem sofisticada. Mas duvido que o apreciador saiba de onde veio... O brilho da folha de hortaliça é mais enfatizado quando se põe contra a luz.

Creio que essa simplificação fez perder muito, em termos de explorar melhor o efeito dos vitrais. Hortaliças, rabiscos com o crayon, clipes de papel, teclado de computador, etc. Usei vários recortes, tirados das revistas, para gerar esses cartões. Mesmo com as perdas, eu acho que fez sentir os seus efeitos.


Nas próximas artes certamente voltarei a sofisticar mais: Serão exploradas novos caminhos, independentemente do mercado para esses cartões. Eu acho que não vale a pena tentar simplificar as coisas, em detrimento da possibilidade de um ganho. Pois, assim como pretendo fazer com os cartões, todas as minhas artes deveriam ter uma proposta em comum. E certamente essa já foi definida para um novo rumo que estou tomando.


Nota sobre a minha primeira arte em celofane:
Na verdade, tratava-se de um mandala. Mas na época eu não dava conta disso. Sequer tinha a idéia do que era isso. E fiz pelo menos duas vezes a mesma arte (16/dez/2013).


O texto original foi publicado em 3 de agosto de 2001, na extinta
Página de Zadoque, e que existia no servidor da Starmedia.


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